CIBERESFERA
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| blogger: Ines Amaral

Redes dentro da rede: conteúdo como laço relacional

[post originalmente publicado no blog do UPLOAD 2.0]

O modelo alternativo e emergente de comunicação promove ambientes sociais que permitem pensar a criatividade e a inovação de forma colectiva. É a “sabedoria das multidões”, como escreveu Surowiecki.

O novo paradigma da comunicação é orientado para a socialização e é baseado em plataformas de social media, redes sociais e conteúdo criado pelo utilizador. Portanto, está centrado no uso social da tecnologia. Tudo é social: conteúdo, distribuição, interacção, práticas, factos, acção. E vão nascendo mais e mais ferramentas que promovem redes sociais baseadas em metadados com novas práticas sociais sustentadas por objectos sociais: ‘like, retweet, digg it’…. A classificação dos conteúdos passou também a estar incorporada e não a ser uma categorização externa. E as ‘hashtags’ estão em todo o lado. No Twitter e não só.

As ferramentas de ‘Do-It-Yourself media’ traduzem novos modos de envolvimento nas redes e estão a substituir até as tradicionais noções de cidadania. A arquitectura das conversas em microblogs sobre as eleições presidenciais de 2009 no Irão, por exemplo, é um importante testemunho do ambiente social e complexo da rede. As novas oportunidades estão a criar novas formas de participação e interacção social com novas práticas e novas relações? Ou, pelo contrário, as diversas plataformas sociais originam uma fragmentação da sociedade digital? Não existe uma única resposta (ou sequer respostas consensuais), mas certo é que o conteúdo se mantém no centro da questão. Seja no contexto de conversação ou não.

A conectividade da rede pode introduzir uma nova modalidade de sociabilidade, já que potencia novas formas de comunicação e interacção. A Web semântica já está a alterar os meios de comunicação social e a paisagem das Internet como a conhecemos. O envolvimento dos utilizadores, os significados, as acções e os contextos sociais em ambientes colectivos são cada vez mais construídos com base na sociabilidade orientada aos objectos.

Num espaço em rede como o ciberespaço, as pessoas transformam-se em nós ligados por informações. Os novos objectos sociais produzem interacções sociais complexas baseadas no conteúdo e metadados. Portanto, as práticas sociais resultam da (re) construção de objectos sociais e as novas relações sociais concretizam-se na ligação entre nós e redes baseadas em ‘folksonomy’ e objectos sociais.

A reciprocidade era o elo principal das redes mas actualmente os metadados são o novo suporte. A nova sociabilidade sem território baseia-se em meios sociais e plataformas de redes sociais e está estruturada para promover a densidade social num continuum. Portanto, o conceito de capital social deve adaptar-se ao novo ecossistema da comunicação e ao ambiente das redes sociais: os laços não podem ser definidos de forma tradicional. Os utilizadores estão agora ligados por laços diferentes nas redes sem escala, que podem ter transformado totalmente a interacção online e a formação de grupos sociais. As novas ferramentas sociais promovem um novo tipo de prática social (orientada a objectos e metadados) e, em certo sentido, de relações sociais. Medir as potenciais audiências pelos métodos convencionais de reciprocidade ou os habituais ‘friends’ pode ser uma falácia, já que a influência e popularidade não se podem aferir apenas pelo número de seguidores. Mais uma vez, o conteúdo mantém-se como elemento central. Já não existe apenas uma audiência mas audiências de audiências, como refere Brian Solis.

Os ambientes em rede (com base na inteligência colectiva e na acção social) promovem um novo tipo de participação social e, consequentemente, novas relações e práticas sociais em que o conteúdo e o seu contexto (conversação, objectos sociais, metadados) se assumem como o elemento central. Isto é a Web 3.0? A Web 2.0 (também) morreu? Web e Internet não são o mesmo… Rótulos à parte, o contexto do conteúdo é o hype do momento. Mas a Internet é um ‘alvo em movimento’ e a Internet móvel pode (outra vez) alterar tudo. Na essência, a utilização estará sempre dependente da interface e das suas funcionalidades. Por isso, as previsões do panorama da Internet social valem o que valem.


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