CIBERESFERA

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Algumas notas sobre o Twitter

Há um mês atrás, a propósito da minha comuncação no II Congresso Internacional de Ciberjornalismo, respondi a duas perguntas de uma aluna de Ciências da Comunicação da UP sobre o Twitter. Aqui ficam as minhas respostas.

1. Qual é o crescimento/afirmação do Twitter como meio de divulgação e de criação de redes sociais?

O ambiente Web 2.0 possibilita a participação política e cultural e promove a formação de redes sociais. Os social media têm transformado a maneira como as pessoas comunicam e interagem online. A implementação desta web social pode ter grande impacto na sociedade e as múltiplas formas de produção participativa digitalmente mediada estão a transformar a paisagem social e os próprios meios de comunicação.
‘Twittering’ é actualmente uma actividade diária para milhões de pessoas. Há muitas apropriações do Twitter. Milhões de pessoas utilizam este serviço de microblogging para interagir com os outros, expressar-se e promover hiperligações externas (através de mensagens manuais ou por processos automáticos, como o Twitterfeed) e as suas ideias.
O grande ‘boom’ do Twitter ocorreu em 2009 – ano em que os social media se massificaram. A afirmação do Twitter enquanto meio de divulgação foi progressiva mas a partir da utilização feita pelo ainda candidato à Casa Branca Barack Obama alterou o cenário até então. Os ‘trending topics’ demonstram bem a capacidade viral de divulgação desta plataforma, que permite simultaneamente a criação de redes sociais tanto pelas ligações entre utilizadores (relação followers/following), conversação ou conteúdo. As redes sociais baseadas em ‘folksonomy’ (‘social tagging’) podem ser uma representação de estruturas que não têm de revelar ligações directas mas podem permitir estudar a propagação de ideias, a dinâmica de laços sociais e marketing viral, assim como analisar as interacções conversacionais como redes de utilizadores que produzem sociabilidade. As redes sociais no Twitter centram-se mais no conteúdo e significativamente menos nas funcionalidades da plataforma.

2. A utilização feita pelos cibernautas é correta? Há um subaproveitamento das potencialidades do Twitter?
As novas ferramentas de ‘Do-it-yourself media’ traduzem novos modos de envolvimento nas redes e estão a substituir as noções tradicionais de cidadania. A arquitectura das conversas em microblogs sobre, por exemplo, as eleições presidenciais de 2009 no Irão são um importante testemunho do ambiente social e complexo da web. No entanto, todas as utilizações são possíveis e fazer julgamentos de valor não faz sentido atendendo à amplitude da ferramenta. Por outro lado, e tal como noutras plataformas, há sempre um grupo mais coeso de utilizadores que manipula de forma mais produtiva (ou seja, atendendo aos seus objectivos) o Twitter. Ainda assim, é evidente que Partilha, cooperação e acção colectiva (Shirky, 2008) são a espinha dorsal das redes sociais online. O Twitter não é excepção. No entanto, estamos a falar de um ‘alvo’ em movimento. Isto significa que temos mais dúvidas
do que certezas: As novas oportunidades estão a criar novas formas de participação e interacção social (novas práticas e novas relações)? Ou, pelo contrário, as diversas plataformas sociais originam uma fragmentação da sociedade digital? O Twitter é claramente uma plataforma com muitas utilizações, mas também permite que os cidadãos tenham uma participação global numa perspectiva social. As novas ferramentas sociais promovem um novo tipo de prática social (orientada a objectos e metadados) e, em certo sentido, de relações sociais.


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