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Redes Sociais na Internet: Sociabilidades Emergentes

 

Defendi ontem, na Universidade do Minho, o meu doutoramento. Publico agora o resumo da minha tese.

Redes Sociais na Internet: Sociabilidades Emergentes

Resumo

Na presente investigação procurámos compreender se da apropriação de ferramentas de interacção mediada por computador, através de técnicas de indexação semântica, emergem novas modalidades de sociabilidade e se efectivam novas práticas e relações sociais que representam um termómetro desterritorializado da sociedade. Defendemos a tese de que o conteúdo é o novo laço relacional das redes sociais assimétricas, transformando estas estruturas em mapas de mediações e interacções sociais delineadas pela utilização da técnica.

O quadro teórico da nossa investigação remete para o novo cenário digital, que originou uma mudança para um paradigma orientado à sociabilização. O enquadramento teórico-metodológico foi exposto na primeira parte da dissertação e consistiu num intenso mapeamento de conceitos sequenciais e interligados. Reflectimos sobre o contexto da mudança de paradigma social e comunicativo. Problematizámos a ideia de desterritorialização da sociedade e apresentámos uma redefinição dos conceitos de espaço, lugar, rede e comunidade. Enfatizámos a necessidade de adaptação das noções de esfera pública, território e presença ao cenário digital. Apresentámos o conceito de “Sociedade 2.0” enquanto processo que se materializa através da inteligência colectiva gerada pela interacção digital. Abordámos a metodologia da Análise de Redes Sociais, as suas principais teorias e modelos. Operacionalizámos a distinção entre redes sociais e comunidades virtuais, interligando-a com uma exposição sobre as plataformas técnicas que as suportam no ciberespaço. Contextualizámos o argumento do conteúdo como laço relacional de redes e comunidades que se formam através de padrões de interacção que decorrem da apropriação de técnicas de indexação semântica.

Na pesquisa empírica analisámos de que forma as hashtag networks, que se concretizam nos media sociais, representam estruturas que permitem estudar interacções, em torno da apropriação do conteúdo e de conversação, enquanto redes de utilizadores que potenciam modalidades de sociabilidade distintas das tradicionais. Desenvolvemos um estudo de caso dividido em três momentos: contextualização do objecto empírico, instrução do olhar sobre as propriedades dos dados e análise de redes sociais desenhadas a partir de interacções num conjunto de mensagens, publicadas no Twitter, com indexação semântica.

Os resultados globais da investigação permitem afirmar que emergem novas modalidades de sociabilidade que decorrem de práticas potenciadas pelas ferramentas técnicas e são distintas das tradicionais, concretizando-se em interacções e relações sociais baseadas no conteúdo e mobilizando diversas formas de capital social. Identificámos um padrão de «individualismo em rede» (Wellman e Gulia, 1999; Castells, 2003; Recuero, 2009) que traduz potencial de acção colectiva e viralidade, velocidade de transmissão da informação e integração de audiências de audiências com redes múltiplas. Este modelo de participação evidencia ainda fraca cooperação e reciprocidade, estruturas sociais fragmentadas em pequenos grupos coesos e sedimentadas com a prevalência de laços fracos, actores centrais e redes pouco democráticas. Os novos laços sociais que interligam redes a redes no ciberespaço centram-se no conteúdo e na conversação, transformando as tradicionais audiências e os consumidores em prosumers e abrindo possibilidades a novos gatekeepers, mas não materializam o fim da centralidade dos media profissionais. A conclusão global desta investigação é a de que nas redes sociais assimétricas, criadas através da indexação do conteúdo, emergem sociabilidades distintas das tradicionais que permitem a construção de uma realidade social própria e se traduzem num termómetro desterritorializado das sociedades info-incluídas.




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