CIBERESFERA
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Birmânia: situação agrava-se

Surprise show

PSL surpreende e faz aquilo que já devia ter sido feito há muito tempo.


2007

SAPO Codebits 2007

13-15 Novembro – Gare do Porto de Lisboa

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António Sérgio

Setembro é a época típica dos despedimentos. É engraçado como ficam sempre os medíocres. Rendem mais, com certeza.


Silly season II

It’s the end of the first silly season and the beginning of an all new season: the second silly season. After the McCann’s history, the european media can’t help it: José Mourinho is the king of the news. And in between there was a lot happening in this old continent…


Cyberjournalism

Planeta 2.0

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Universos virtuais

Ainda o 5º SOPCOM

Conforme prometido, publico neste espaço o resumo alargado da minha comunicação.

A apresentação da comunicação está disponível aqui.

A @migração para o ciberespaço – a dimensão social dos mundos virtuais
Inês Albuquerque Amaral
Instituto Superior Miguel Torga

A introdução das novas tecnologias nas esferas pública e privada da sociedade, mais do que uma reformulação, originou um novo campo social e interfere directamente na forma como percepcionamos o mundo. Progressivamente, surgiu uma nova realidade e a Cibercultura é, actualmente, uma manifestação de vitalidade social contemporânea. Este movimento, que nasceu com o ciberespaço, conheceu novas evoluções com o desenvolvimento das aplicações na rede e introduziu uma nova forma de cultura. Mas é importante compreender que não se trata de uma sub-cultura ou de uma cultura de tribos. Pelo contrário. E, neste sentido, é urgente compreender as dinâmicas sócio-culturais, económicas e políticas da rede. Neste trabalho, a proposta é analisar a componente social das comunidades virtuais que se estabelecem nos ambientes dos mundos virtuais.
Os ambientes competitivos e colaborativos, que essencialmente marcavam estes universos, já não são as categorias dominantes dos mundos virtuais. Existem hoje espaços para os quais os utilizadores “migraram”, onde estudam, trabalham, “vivem”… O Second Life é um exemplo da importância dos mundos virtuais nos dias de hoje. É urgente compreender o porquê desta “migração” e como se caracterizam socialmente estes espaços. E a importância destes universos é evidente quando há embaixadas de países (como a Suécia) a abrirem no Second Life, universidades a leccionar neste espaço, lojas a facturarem nestes ambientes, utilizadores que são pagos para jogar… e milhares e milhares de dólares (bem reais) movimentados diariamente nestes universos. Dos tradicionais RPG’s como o World of Warcraft ao Second Life, do Entropia Universe ao Habbo Hotel, passando pelo There.com ou pelo Active Worlds. A estrutura do tradicional jogo de computador alterou-se. Os objectivos modificaram-se e adequaram-se à mudança de paradigma da comunicação. Independentemente do género (ou da tipologia), hoje falamos em mundos virtuais “habitados”. A partilha do espaço, do tempo, o sentido de presença e as ferramentas de comunicação tecnologicamente mais avançadas e orientadas ao utilizador e à comunicação criaram comunidades virtuais com impacto económico e político no mundo real.
O fenómeno dos ambientes 3D na rede que propiciam experiências imersivas e a crescente adesão a estes universos alternativos tem sido uma nota dominante na evolução da Cibercultura, imprimindo-lhe um carácter sócio-cultural próprio. Estes agrupamentos humanos na e em rede são um fenómeno que se traduz numa nova forma de cultura, que implica uma (re)configuração do espaço social e amplia a desterritorialização da sociedade. Efectivamente, a Internet veio introduzir a metamorfose do conceito de território, que surge como fruto da construção de sistemas de representação partilhados e simbólicos de dinâmicas sociais. O que se propõe neste trabalho é compreender as novas relações sociais e formas de identidade que surgem nos mundos virtuais. Será que na realidade dos universos virtuais emergem novas relações e práticas sociais?
Ainda que virtual, o ciberespaço existe e produz efeitos. Logo, a proposta passa por analisar os conceitos de mundo virtual, virtualização dos espaços público e privado, identidade e cultura e compreender de que forma é que estas noções se adaptam às novas condições criadas pelo ciberespaço. Neste sentido, pretende-se compreender como é que estes espaços intermédios – já que não estão desligados do chamado mundo offline – criam novas formas de sociabilidade e como é que se estabelecem novas práticas sociais. Partindo da premissa de que os mundos virtuais são tecnologias sociais e que ultrapassam os padrões de jogo electrónico, a análise destes ambientes e dos seus agregados será feita excluindo o determinismo territorial das comunidades tradicionais, compreendendo as experiências imersivas e a ainda transposição do real para o virtual (e vice-versa).


5º SOPCOM – notas

Terminou o 5º SOPCOM e, por isso mesmo, é tempo de fazer uma breve reflexão. O congresso foi possivelmente o maior já organizado pela Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação, com um número de comunicações impressionante: 400. As sessões temáticas foram também ampliadas, sendo que algumas nasceram do desdobramento de temas nos seus vários sub-campos. As sessões plenárias foram muito interessantes e, essencialmente, bem conduzidas. A organização por parte da UMinho foi irrepreensível, desde o acompanhamento aos conferencistas ao material disponibilizado. A apontar apenas a “falha” dos congressos da SOPCOM: tantas mesas a decorrerem ao mesmo tempo fazem-me sempre ficar com a ideia de que ficou muito por ver…

Algumas notas deste congresso

– A sessão plenária 1 centrou-se um pouco no universo do audiovisual, permitindo discutir de forma interessante a participação dos cidadãos neste registo. Uma conclusão salientada pelo Prof. Paquete de Oliveira, provedor do telespectador, e por Victoria Camps, do Conselho do Audiovisual da Catalunha, é a de que os cidadãos procuram intervir pouco e desconhecem os mecanismos de participação. Ainda que grupos organizados de cidadãos tenham plena consciência de como usufruir da plenitude dos seus direitos. Por outro lado, ficou a ideia de que a cidadania resume o acesso à comunicação de todos os cidadãos. Foi ainda sublinhado que comunicação e cidadania são dois conceitos que surgem numa esfera simultânea. Margarita Ledo, presidente da LUSOCOM, deixou propostas de para os investigadores, sublinhando que a relação entre cidadania e comunicação «é uma questão constitutiva da sociedade do conhecimento».

– Os dois painéis da sessão temática Comunicação Multimédia e Jogos Electrónicos, que decorreram na tarde de 6 de Setembro, permitem concluir que esta nova mesa faz todo o sentido nos congressos da SOPCOM. Foram apresentados vários estudos e linhas de investigação interessantes, nomeadamente:
a). Ana Torres e Nelson Zagalo apresentaram um estudo sobre os videojogos como um novo meio de entretenimento para idosos, explorando as potencialidades de utilizar estes dispositivos como actividade de ocupação do tempo.
b). “Criticismo Ludológico: Simulação Ergódica vs Ficção Narrativa” foi o título da comunicação de Luís Filipe Teixeira, estabelecendo uma diferença entre os conceitos de “jogabilidade ergódica” e “ficção científica” a partir das noções de simulação e representação. Imersão, simulação, representação e narratividade são as palavras-chave deste trabalho, cuja publicação aguardo com muito interesse.
c). Rui Gaio trouxe uma proposta diferente e interessante: uma máquina para correr e jogar. Mas será que a imersão física tem as mesmas características que a virtual?
d). Luís Pato, da ESEC, apresentou um trabalho sobre o buzzword do momento: Crossmedia. “O telemóvel: será o telecomando que todos têm?” é o título da comunicação, que se centrou na discussão da produção de conteúdos para telemóveis. O investigador equacionou algumas hipóteses para o futuro do mercado audiovisual, nomeadamente a questão do acesso e das infra-estruturas.
e). Paulo Frias, docente da UP que regista no seu blog notas interessantes sobre o Second Life, apresentou algumas ideias sobre “Comunicação e apropriação do espaço em ambientes sociais online”, centrando-se em Turkle e exemplificando com o universo do SL.

– Este 5º SOPCOM trouxe também outra inovação interessante: a introdução de simpósios. Assisti ao de “Comunicação, Cultura e Tecnologia” e destaco uma comunicação que me interessou muito pelo tema e abordagem: “Comunidades de prática, Web 2.0 e Cidadania”, de Patrícia Dias da Silva da UL. A investigadora partiu da ideia de “centro gravitacional” da definição de Tim O’Reilly para web 2.0, para trabalhar algumas posições teóricas sobre o tema e deixar uma questão em aberto: o modelo cívico pode ser como a ideia de open source?

– A última sessão plenária do congresso contou com a presença de Francisco Sierra, professor da Universidade de Sevilha, Sónia Virgínia Moreia, directora de relações internacionais da INTERCOM, e Rosental Calman Alves, professor da Universidade do Texas. Uma ideia transversal aos três convidados é a de que a cidadania não é um problema político mas antes cívico. Destaco a comunicação do Prof. Rosental Alves, que se assumiu como habitualmente como um “revolucionista”, apresentando ideias que considero muito interessantes. O docente da Universidade do Texas falou do impacto da revolução digital no jornalismo e no ensino do jornalismo, sublinhando que é crucial compreender que as noções de poder e controlo se deslocaram: a audiência é agora activa e participativa, “vivendo” em ambientes de “super abundância” de informação. O Professor defendeu que é imperativo que os meios de comunicação de massas de adaptem aos novos paradigmas comunicativos, sob pena de se assistir não a uma mediamorfose, mas antes a um “mediacídio”. Convergência, multimédia e multi-plataformas são as palavras-chave do jornalismo actual, referiu Rosental Alves, pelo que o ensino do jornalismo tem de se centrar nestas ideias e conciliá-las com os valores essenciais da profissão. Ao mesmo tempo, é importante que a escola se ligue mais à indústria e aposte na investigação. Defendendo de que as mudanças estão a acontecer «de baixo para cima», o docente afirmou que «o jornalismo deixou de ser monopólio dos jornalistas». Na sua opinião, «o jornalismo está a mudar do estilo sermão da era industrial para o estilo conversação da era digital», muito devido ao fenómeno do crowdsourcing – canais de participação da cidadania no jornalismo (a ideia de user generation content). Assim, importa discutir premissas relevantes como a questão da mediação e o poder da fonte. E porque agora os indivíduos têm a capacidade de gerar audiências próprias, Rosental Alves alerta que é impreterível compreender que estruturalmente o negócio dos media está a modificar-se, assim como aceitar que os estudantes de jornalismo dos dias de hoje são “nativos digitais” que precisam de ser orientados para saberem lidar com as repercussões dos self media nos novos media. De certa forma, como defendi também na minha comunicação, é urgente compreendermos um novo fenómeno: a ideia de que a transposição já não se faz só do real para o virtual.


Flickr…

… is having lots of hiccups.


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SOPCOM

Hoje foi impossível colocar posts sobre o 5º SOPCOM. O portátil não ajudou e teve de ficar em casa. Por isso, amanhã será tempo de balanço, com um ou vários posts a resumirem as sessões a que assisti (e vou assistir amanhã) no congresso. Para os próximos dias fica prometida a publicação do resumo e da apresentação realizada hoje, com o título “A @migração para o ciberespaço – a dimensão social dos mundos virtuais”.




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