CIBERESFERA
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Análise de Redes Sociais de Conteúdos

Comunicação apresentada no III Encontro de Analistas de Redes Sociais, que decorre de 16 a 17 de julho no ICS da Universidade de Lisboa.


Análise de Redes Sociais

O Grupo de Jovens Investigadores da SOPCOM promoveu, de 9 a 13 de julho no ISCSP (UTL), a Escola de Verão SOPCOM 2012.

No contexto desta iniciativa, leccionei a sessão “Análise de Redes Sociais”. O suporte da sessão foram os slides que agora apresento.

 

 


Facebook: a extensão do indivíduo num universo de códigos reinventados

A propósito da reportagem que fez a capa da Notícias Maganize da semana passada, publico as minhas respostas a três questões que me foram endereçadas sobre o Facebook.

Como se explica que o Facebook tenha este impacto estrondoso (seja na maneira de as pessoas se relacionarem, no marketing que as empresas fazem, na despreocupação com a privacidade individual de cada um), ao ponto de ter sido o site mais visto em 2010 nos EUA e de tomar cada vez mais tempo às rotinas diárias dos utilizadores?

Num primeiro momento, o grande impacto do Facebook talvez possa ser explicado com a facilidade e simplicidade de utilização da interface e com os dispositivos móveis que permitem um acesso quase permanente à rede. A massificação da Internet também contribui (e de que maneira) para este efeito. Mas talvez a questão central esteja nas funcionalidades (simples e sociais) que o Facebook disponibiliza. Tudo naquela rede social é orientado para uma certa dependência, seja esta individual ou grupal.
Na minha opinião, o online tornou-se numa extensão do indivíduo. Tal como o telemóvel. Trata-se de criar e manter uma identidade, um status. Ainda que inconscientemente. Por outro lado, há também nessa extensão da vida do indivíduo uma nova noção: finalmente toda a gente assumiu, como Pierre Lévy sempre defendeu, que o virtual existe e produz efeitos. E esses efeitos são cada vez mais visíveis na vida de cada pessoa com acesso à Internet. Com maior ou menor dimensão, esses efeitos estão lá. Logo, esta extensão da vida não existe como um jogo. Há a interacção directa com os outros num ponto mas também a indirecta (talvez bem mais importante) produzida a partir do conteúdo e da relação com o meio. É isso que define a identidade online de cada um: se as pessoas fizerem like ou share do meu conteúdo isso traduz uma reputação (associada depois a credibilidade, notoriedade e por aí fora) bem diferente do que se não fizerem; da mesma maneira, um indivíduo que tem mais amigos do que outro pensa que tem também mais influência (o que já não é verdade, mas para o utilizador comum é). A tendência é para que os avatares enquanto representação virtual se diluam numa reprodução real de cada utilizador. E o grande “culpado” chama-se Facebook que parece ter transformado as ligações online.

- É saudável, isto? Quais são, no seu entender, os principais aspectos positivos e negativos da crescente utilização do Facebook?

A presença das redes sociais e da Internet na vida de pessoas em sociedades info-incluídas é uma inevitabilidade. Esta é a nova revolução que vem a acontecer há algum tempo e que se massificou com a Web 2.0. O homem sempre viveu em rede social, mas sem noção. Com a Internet, este conceito é largamente ampliado. E essa questão é que é de grande importância. Não acredito que, genericamente, se possam definir vantagens e desvantagens para além das habituais do senso comum. Estou convicta que para cada indivíduo há bónus e ónus.  Por outro lado, em termos globais, estou convencida que o mundo mudou: há pessoas info-incluídas e os outros. A frase pode parecer profundamente elitista mas, em termos práticos, é esta a realidade. Sempre foi assim mas agora o fosso é abismal. Da mesma maneira, a presença intensa da Internet na vida de alguns dos info-incluídos distancia-os dos restantes info-incluídos. Na medida em que a rede passa a ser uma extensão da sua vida. E, neste sentido, a vida muda. Inevitavelmente. O que é que muda na vida de alguém que actualiza quase de hora a hora o seu status no Facebook? Muda tudo: a forma como se relaciona com os outros, a forma como vê o mundo e até a si próprio. Podem por isso as redes ser filtros da vida “real”? Claro, como tudo. Mas talvez possam ser também filtros para a vida “real”, o que inevitavelmente implica perguntar: e isso produz efeitos? Sim, o virtual existe e produz efeitos. Esse é que pode ser o bónus ou, muitas vezes, o ónus da presença intensa da Internet e das redes sociais na vida das pessoas.

- Quando se fala de relacionamento humano, o que é realmente importante? E como é que o Facebook potencia ou, pelo contrário, descaracteriza essa(s) vertente(s)?

O ciberespaço não implica códigos inteiramente novos mas uma reformulação dos já existentes. É com base nesses códigos reformulados que considero que existe um novo tipo de sociabilidade, já que se distingue na essência da tradicional desde logo por questões associadas ao tempo e espaço mas também ao nível dos processos sociais e de comunicação. Com o ciberespaço estamos perante novas práticas sociais que se materializam em objectos sociais como o botão “Like”. Estou a referir-me a processos tão simples como um “retweet” (no Twitter) ou um “share” (no Facebook) que, na verdade, traduzem um novo tipo de prática social…
Existem claramente novas práticas sociais e, consequentemente, novas relações. Existe relacionamento humano na Internet mas não é possível transpôr os conceitos que tradicionalmente aplicamos no mundo offline para o online. Desde logo pela questão de não existir contacto físico ou visual e pela não presença. Geralmente, no mundo online a ausência de presença é substituída pelo sentimento de pertença a um grupo através de sistemas de construção social partilhada – o que acaba por conferir identidade a esse grupo e aos indíviduos que fazem parte dele.
Às tradicionais vantagens da abolição de fronteiras e de acesso ao conhecimento global contrapõem-se questões como o anonimato atrás de um ecrã (seja de um computador ou de um smartphone) e a literacial digital. O relacionamento entre os utilizadores estabelece-se algures dentro deste contexto complexo mas também fora dele. Os relacionamentos online, muitas vezes, ultrapassam o cenário da Internet. Seja porque os intervenientes já se conheciam previamente ou porque decidem conhecer-se pessoalmente.
Não considero que o Facebook descaracterize essa vertente mas antes que a transforma. Se Internet alterou os relacionamentos humanos mas o fenómeno do Facebook veio reformular as ligações entre as pessoas. Uma certa despreocupação com a privacidade e a necessidade de se transformar em ser social parecem ser hoje as características dos utilizadores comuns. Todos querem estar ligados a todos: amigos, colegas de trabalhos, celebridades. E todos têm algo para partilhar e aguardam os comentários e os “likes” da sua rede. Os números são impressionantes: estima-se que a cada 20 minutos sejam publicados 1,851,000 status updates, feitos 7,657,000 cliques no botão “like” e escritos 10,208,000 comentários…
A forma como percepcionamos o mundo, os outros e nós próprios está directamente relacionada com a Tecnologia. As consequências dessa mudança de pensamento ainda não são visíveis. Julgo que só o serão quando a primeira geração de nativos digitais chegar ao poder nas sociedades info-incluídas.


Redes dentro da rede: conteúdo como laço relacional

[post originalmente publicado no blog do UPLOAD 2.0]

O modelo alternativo e emergente de comunicação promove ambientes sociais que permitem pensar a criatividade e a inovação de forma colectiva. É a “sabedoria das multidões”, como escreveu Surowiecki.

O novo paradigma da comunicação é orientado para a socialização e é baseado em plataformas de social media, redes sociais e conteúdo criado pelo utilizador. Portanto, está centrado no uso social da tecnologia. Tudo é social: conteúdo, distribuição, interacção, práticas, factos, acção. E vão nascendo mais e mais ferramentas que promovem redes sociais baseadas em metadados com novas práticas sociais sustentadas por objectos sociais: ‘like, retweet, digg it’…. A classificação dos conteúdos passou também a estar incorporada e não a ser uma categorização externa. E as ‘hashtags’ estão em todo o lado. No Twitter e não só.

As ferramentas de ‘Do-It-Yourself media’ traduzem novos modos de envolvimento nas redes e estão a substituir até as tradicionais noções de cidadania. A arquitectura das conversas em microblogs sobre as eleições presidenciais de 2009 no Irão, por exemplo, é um importante testemunho do ambiente social e complexo da rede. As novas oportunidades estão a criar novas formas de participação e interacção social com novas práticas e novas relações? Ou, pelo contrário, as diversas plataformas sociais originam uma fragmentação da sociedade digital? Não existe uma única resposta (ou sequer respostas consensuais), mas certo é que o conteúdo se mantém no centro da questão. Seja no contexto de conversação ou não.

A conectividade da rede pode introduzir uma nova modalidade de sociabilidade, já que potencia novas formas de comunicação e interacção. A Web semântica já está a alterar os meios de comunicação social e a paisagem das Internet como a conhecemos. O envolvimento dos utilizadores, os significados, as acções e os contextos sociais em ambientes colectivos são cada vez mais construídos com base na sociabilidade orientada aos objectos.

Num espaço em rede como o ciberespaço, as pessoas transformam-se em nós ligados por informações. Os novos objectos sociais produzem interacções sociais complexas baseadas no conteúdo e metadados. Portanto, as práticas sociais resultam da (re) construção de objectos sociais e as novas relações sociais concretizam-se na ligação entre nós e redes baseadas em ‘folksonomy’ e objectos sociais.

A reciprocidade era o elo principal das redes mas actualmente os metadados são o novo suporte. A nova sociabilidade sem território baseia-se em meios sociais e plataformas de redes sociais e está estruturada para promover a densidade social num continuum. Portanto, o conceito de capital social deve adaptar-se ao novo ecossistema da comunicação e ao ambiente das redes sociais: os laços não podem ser definidos de forma tradicional. Os utilizadores estão agora ligados por laços diferentes nas redes sem escala, que podem ter transformado totalmente a interacção online e a formação de grupos sociais. As novas ferramentas sociais promovem um novo tipo de prática social (orientada a objectos e metadados) e, em certo sentido, de relações sociais. Medir as potenciais audiências pelos métodos convencionais de reciprocidade ou os habituais ‘friends’ pode ser uma falácia, já que a influência e popularidade não se podem aferir apenas pelo número de seguidores. Mais uma vez, o conteúdo mantém-se como elemento central. Já não existe apenas uma audiência mas audiências de audiências, como refere Brian Solis.

Os ambientes em rede (com base na inteligência colectiva e na acção social) promovem um novo tipo de participação social e, consequentemente, novas relações e práticas sociais em que o conteúdo e o seu contexto (conversação, objectos sociais, metadados) se assumem como o elemento central. Isto é a Web 3.0? A Web 2.0 (também) morreu? Web e Internet não são o mesmo… Rótulos à parte, o contexto do conteúdo é o hype do momento. Mas a Internet é um ‘alvo em movimento’ e a Internet móvel pode (outra vez) alterar tudo. Na essência, a utilização estará sempre dependente da interface e das suas funcionalidades. Por isso, as previsões do panorama da Internet social valem o que valem.


Algumas notas sobre o Twitter

Há um mês atrás, a propósito da minha comuncação no II Congresso Internacional de Ciberjornalismo, respondi a duas perguntas de uma aluna de Ciências da Comunicação da UP sobre o Twitter. Aqui ficam as minhas respostas.

1. Qual é o crescimento/afirmação do Twitter como meio de divulgação e de criação de redes sociais?

O ambiente Web 2.0 possibilita a participação política e cultural e promove a formação de redes sociais. Os social media têm transformado a maneira como as pessoas comunicam e interagem online. A implementação desta web social pode ter grande impacto na sociedade e as múltiplas formas de produção participativa digitalmente mediada estão a transformar a paisagem social e os próprios meios de comunicação.
‘Twittering’ é actualmente uma actividade diária para milhões de pessoas. Há muitas apropriações do Twitter. Milhões de pessoas utilizam este serviço de microblogging para interagir com os outros, expressar-se e promover hiperligações externas (através de mensagens manuais ou por processos automáticos, como o Twitterfeed) e as suas ideias.
O grande ‘boom’ do Twitter ocorreu em 2009 – ano em que os social media se massificaram. A afirmação do Twitter enquanto meio de divulgação foi progressiva mas a partir da utilização feita pelo ainda candidato à Casa Branca Barack Obama alterou o cenário até então. Os ‘trending topics’ demonstram bem a capacidade viral de divulgação desta plataforma, que permite simultaneamente a criação de redes sociais tanto pelas ligações entre utilizadores (relação followers/following), conversação ou conteúdo. As redes sociais baseadas em ‘folksonomy’ (‘social tagging’) podem ser uma representação de estruturas que não têm de revelar ligações directas mas podem permitir estudar a propagação de ideias, a dinâmica de laços sociais e marketing viral, assim como analisar as interacções conversacionais como redes de utilizadores que produzem sociabilidade. As redes sociais no Twitter centram-se mais no conteúdo e significativamente menos nas funcionalidades da plataforma.

2. A utilização feita pelos cibernautas é correta? Há um subaproveitamento das potencialidades do Twitter?
As novas ferramentas de ‘Do-it-yourself media’ traduzem novos modos de envolvimento nas redes e estão a substituir as noções tradicionais de cidadania. A arquitectura das conversas em microblogs sobre, por exemplo, as eleições presidenciais de 2009 no Irão são um importante testemunho do ambiente social e complexo da web. No entanto, todas as utilizações são possíveis e fazer julgamentos de valor não faz sentido atendendo à amplitude da ferramenta. Por outro lado, e tal como noutras plataformas, há sempre um grupo mais coeso de utilizadores que manipula de forma mais produtiva (ou seja, atendendo aos seus objectivos) o Twitter. Ainda assim, é evidente que Partilha, cooperação e acção colectiva (Shirky, 2008) são a espinha dorsal das redes sociais online. O Twitter não é excepção. No entanto, estamos a falar de um ‘alvo’ em movimento. Isto significa que temos mais dúvidas
do que certezas: As novas oportunidades estão a criar novas formas de participação e interacção social (novas práticas e novas relações)? Ou, pelo contrário, as diversas plataformas sociais originam uma fragmentação da sociedade digital? O Twitter é claramente uma plataforma com muitas utilizações, mas também permite que os cidadãos tenham uma participação global numa perspectiva social. As novas ferramentas sociais promovem um novo tipo de prática social (orientada a objectos e metadados) e, em certo sentido, de relações sociais.


History of Social Media


XXX INSNA Sunbelt
Análise de Redes Sociais na Internet

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Comunicação apresentada na sessão IberoAmericana (Misc.) no XXX INSNA Sunbelt, Riva del Garda, Itália. 03 de Julho de 2010.

The future of social networking?

Redes Sociais na Internet: a desterritorialização da sociedade?

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Sociedade 2.0: a emergência de uma nova sociabilidade?

Sociedade 2.0: a emergência de uma nova sociabilidade?
Inês Amaral
Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (Universidade do Minho) e Instituto Superior Miguel Torga
Helena Sousa
Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade – Departamento de Ciências de Comunicação da Universidade do Minho

RESUMO

Assumindo como contexto teórico a mudança de paradigma social e comunicacional imposta pela web, neste trabalho pretendemos reflectir e equacionar o panorama das redes sociais na Internet e a emergência de uma nova sociabilidade, que tem por base a exclusão do determinismo territorial e pode operacionalizar (nas sociedades ditas “info-incluídas”) uma divisão social e cultural de indivíduos.
Apresentamos uma conceptualização sobre o papel das redes sociais em cenário digital, os social media como suporte técnico que origina a Comunidade 2.0 e o Consumer 2.0, contribuindo para um quadro teórico com reflexões sobre a nova sociabilidade desterritorializada. Nesta perspectiva, interessa compreender se os ambientes das redes sociais constróem uma realidade social própria, independente do denominado “mundo offline”.


Ambientes sociais em rede

Comunicação apresentada no X Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais
Ambientes sociais em rede, Inês Albuquerque Amaral (CECS/UMinho e ISMT) e Helena Sousa (CECS/UMinho)

Resumo
O presente trabalho assume como contexto teórico a mudança de paradigma social e comunicacional imposta pela web e tem como objectivo principal aferir se com as redes sociais na Web se constrói uma realidade social própria e se as práticas desenvolvidas pelos actores no contexto da rede são acções sociais ou individuais. Numa primeira fase, discute-se o tema das redes sociais, mapeando conceitos como paradigmas comunicativos, contexto dos social media, reinvenção do conceito de comunidade e noção de rede social na Internet. Num segundo momento apresentamos um trabalho empírico de caracterização da sociabilidade de comunidades em sites de social networking, que tem como objecto a dimensão social de duas micro-redes e pretende contribuir para o debate das redes sociais em ambientes online.

Palavras-chave: Paradigmas comunicativos, redes sociais, interacção social


What micro-blogging means? [or a video about Twitter]




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