CIBERESFERA
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O tabu do tabu

Fazer uma reportagem com um ângulo definido e não procurar o outro lado é mau jornalismo. O Público este domingo, com o apoio da Fundação Francisco Manuel dos Santos, estreia a “Série Especial: Racismo em português” com a reportagem “Ser em africano em Cabo Verde é um tabu”. Não porque seja mentira que Cabo Verde, na generalidade, não quer ser África. É verdade. Mas a identidade cabo-verdiana existe e está bem vincada, nas nove ilhas habitadas. A generalização de África, enquanto continente, a uma única cultura (a dita “africanidade”) é a típica visão ocidental. Mas agora os ocidentais querem quebrar o tabu. E caíram no perigo da história única, que Chimamanda Ngozi Adchie explica tão bem. Entramos, portanto, na era do tabu do tabu.

A escritora nigeriana Chimamanda Adchie explica muito bem o perigo da história única. Basta começar a história por onde queremos e não vermos as diferentes perspectivas. “Se ouvirmos apenas uma história sobre outra pessoa ou país, corremos o risco de um erro crítico”. Tratando-se de um trabalho jornalístico, o caso é ainda pior. Leia-se, por isso, o lead da reportagem do Público: “Cabo Verde não é África, os cabo-verdianos são “pretos especiais” e os mais próximos de Portugal. É o país da mestiçagem, a “prova” da “harmonia racial” do luso-tropicalismo. Durante anos esta foi a narrativa dominante. Ser ou não ser africano ainda continua como ponto de interrogação.

Respeitando os testemunhos ouvidos, fica evidente que há uma posição e um ângulo de abordagem definido, fechado. Todo o trabalho vai no sentido de lhe dar resposta. Ler que a Educação ou a Saúde estão desfasados do país e não ler absolutamente nada sobre os números que contrariam esse argumento é assustador. Isto não é jornalismo. Eu também não vou fazer jornalismo, mas dar a minha opinião. Conheço relativamente bem, julgo que se pode dizer assim, o país. Venho cá há praticamente 20 anos. Tenho grandes amigos cabo-verdianos. Li e leio muito sobre o país. O meu tio-avô teve um papel preponderante na Educação em Cabo Verde, aquando das “duas independências”.

A democracia, a Educação e a Saúde são elementos que não estão desfasados do país. Não é porque Cabo Verde não segue a política dos países africanos que isso se traduz em racismo. Ter identidade própria não significa que a cor da pele distinga as pessoas. Neste arquipélago não distingue. É essa mestiçagem, de séculos, com uma cultura muito própria que cria a identidade deste país. E isso não é sinónimo de recusa total da africanidade mas da criação de um país próprio.

A reportagem seria muito mais rica que se contasse a História de Cabo Verde pós-independência, até 1990 literalmente debaixo do jugo da Guiné-Bissau, fruto da política do partido único. A reportagem seria muito mais rica se contasse a história da diáspora cabo-verdiana, que muito contribui para a mestiçagem e para uma identidade própria. A reportagem seria muito mais rica se contasse o papel dos holandeses nas ilhas e, actualmente, dos italianos. A reportagem seria muito mais rica se sequer falasse na questão dolorosa, bem sei, dos retornados – é que não há de Cabo Verde a não ser uns pides, as autoridades fascistas e pouco mais. A reportagem seria muito mais rica se fosse a cada canto perguntar quem é Amílcar Cabral, que todos sabem ser o pai do país. A reportagem seria muito mais rica se contasse os problemas que Cabo Verde enfrenta com o narcotráfico da Guiné-Bissau, Guiné-Conakri e Senegal. A reportagem seria muito mais rica se mostrasse a capacidade da Saúde no país (eu estava em Cabo Verde quando o Ébola ameaçou África. Cabo Verde foi o único país capaz de activar o protocolo de segurança em menos de 8 horas). A reportagem seria muito mais rica se explicasse os níveis de literacia, tão elevados para África, e motivo de natural orgulho. A reportagem seria muito mais rica se contasse a evolução que permitiu níveis de esperança de vida tão elevados num país onde nada há no chão. A reportagem seria muito mais rica se explicasse que nunca existiram etnias em Cabo Verde, um dos elementos base da africanidade.

A reportagem seria muito mais rica se não tivesse vindo à procura de algo que assumiu como verdadeiro mas se procurasse perceber a realidade do país. A começar pela sua História, que é diferente da maior parte dos países africanos. A começar pelos níveis de democracia, educação e saúde (adequados e nada desfasados. Basta entrar numa escola, numa universidade, num hospital ou numa farmácia), e mesmo de corrupção e criminalidade (baixos), que batem os índices de qualquer país com as mesmas condições de vida ou até melhores.

Cabo Verde tem muitos defeitos. Todos os países têm. Todos os povos têm. Mas tem duas coisas que poucos povos têm: memória e identidade. É claro que, em democracia há espaço, para todas as diferenças. E claro que há movimentos africanistas. Poucos, mas há. Agora falar de racismo em Cabo Verde implicaria regressar a 1460 e depois acelerar o passo para o regime salazarista e para os 15 anos de domínio da Guiné. Racismo não é não assumir, à força, uma cultura que não é a sua. Claro que as culturas e as identidades são dinâmicas, e estão em permanente mutação. Mas acusar de racismo, o sistema típico do opressor, um país que foi oprimido por outros dois parece totalmente ilógico. Tão irracional que custa a acreditar que foi publicado no jornal Público.

Unidade, Trabalho e Progresso são o lema de Cabo Verde. Quem vê racismo com base na cor da pele nesta terra, vê só o que quer ver e não a realidade. Quem não entende a recusa da africanidade por oposição a uma identidade de unidade, não entende a realidade deste país. A reportagem ficaria muito mais rica se o comandante Pedro Pires tivesse sido entrevistado. Ou qualquer outro/a guerrilheiro/a. Porque Cabo Verde não teve guerra mas fez a guerra na Guiné. E teve no país uma intervenção muito forte por parte da população. Quem quer continuar a fingir que Cabo Verde não teve um papel importante na luta pela independência das ex-colónias portuguesas, não sabe nada da História do país.

Escamotear a verdade em torno de chavões que chocam não é jornalismo. Lamento muito, Público. Lamento mesmo muito. E estou ansiosa por ler as restantes reportagens da série. Deduzo que o ângulo de abordagem seja o mesmo.

[A propósito ou a despropósito: é a minha estreia no Aventar. E escrevo precisamente de Cabo Verde]

 

[Post inicialmente publicado no blog Aventar]


As hashtags do debate nas rádios

O debate entre Pedro Passos Coelho e António Costa nas rádios (TSF, Antena 1 e Renascença) está a ser nas redes sociais em diferentes streamings, com os influenciadores e as máquinas partidárias a criarem hashtags diversas.

Vale a pena seguir algumas das hashtags no Twitter:

#debate2015

#Legislativas2015

#Eleições2015

#costabem

#costamal

#passosmal

#portugalàfrente

#pedropassoscoelho

#costa2015

António Costa começou por perder o debate, com #costamal a entrar quase de imediato nos trending topics em Portugal. Os influenciadores estão com um papel importante nas hashtags “mal” e “bem”, mas o Partido Socialista está a indexar melhor os conteúdos (#debate2015#costa2015#costabem). A máquina partidária da coligação Portugal à Frente está a dispersar os conteúdos com várias hashtags (#debate2015#Legislativas2015#Eleições2015#portugalàfrente#pedropassoscoelho e outras, criadas pelas contas que derivam do partido – distritais, juventudes partidárias, etc).

Desde o início do debate, a hashtag #debate2015 surgiu logo nos trending topics em Portugal.

No Facebook as hashtags são recorrentes e idênticas ao Twitter, já que os influenciadores e as máquinas partidárias estão a utilizar em simultâneo as duas plataformas. Ainda que no Twitter se verifique uma maior utilização das hashtags por utilizadores comuns do que no Facebook. As dispersão das várias páginas dos partidos está também a criar diferentes streamings de comentários e partilhas.

As Rádios

  • Facebook

A TSF optou por colocar no topo da página o link que remete para o directo no site. Não utiliza hashtags mas lança, em dia estratégico, uma app. A interacção no post central não parece ser diferente do habitual.

A Antena 1 disponibilizou o último post 30 minutos antes do debate, com links para as várias fontes onde a RDP e a RTP Play estão a transmitir o debate. A interacção neste post também não parece ser diferente do habitual. A Antena 1 tem uma clara vantagem sobre as restantes rádios, já que está a transmitir o debate em registo audiovisual na RTP Play.

A Rádio Renascença publicou o primeiro post já 30 minutos depois do início do debate, com um link para o directo. Mas utiliza as hashtags #legislativas e #legislativas2015. A interacção é mais reduzida no que nas outras rádios. A 30 minutos, voltou a publicar o mesmo post, também hashtags. A interacção com este conteúdo foi quase nula.

  • Twitter

A TSF publicou apenas um link para a página onde é possível ouvir o debate em directo.

A Antena 1 (conta sem utilização desde 8 de Janeiro) mudou a estratégia no Twitter e deixou de ter página própria. E foi na conta RTP que publicou vários posts a remeter para o link da RTP Play.

A Rádio Renascença fez vários posts (actualizando a página, que estava sem posts desde 14 de Setembro) com links e utilizou hashtags ( e ).


“A Concentração dos Media e a Liberdade de Imprensa”

No passado dia 26 de Novembro, decorreu em Coimbra o lançamento do livro “Concentração dos Media e Liberdade de Imprensa”, de Silvino Lopes Évora – poeta, jornalista, investigador do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da UMinho, Professor na Universidade de Cabo Verde e na Universidade Jean Piaget de Cabo Verde. A apresentação da obra, editada pelas Edições Minerva Coimbra, esteve a meu cargo. A este propósito, deixo algumas notas sobre um livro que recomendo vivamente e que, dado o actual momento em Portugal, não poderia ser mais actual. Porquanto o contexto mediático português está cada vez mais marcado pela questão da concentração da propriedade dos media.

O livro  “Concentração dos Media e Liberdade de Imprensa” é uma obra muito rica e, em simultâneo, “inquientante” – nas palavras da Professora Doutora Helena Sousa no prefácio. Porque se debruça sobre a percepção que os jornalistas portugueses têm da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa face à concentração dos media em grandes grupos. O texto procura compreender e retratar o que é a liberdade para o jornalista e de que forma a sua identidade profissional está ou não condicionada pela concentração da propriedade dos meios de Comunicação Social.

Silvino Lopes Évora trouxe o conhecimento da Academia para a análise do mercado de trabalho, procurando tomar o pulso à percepção que os jornalistas portugueses fazem do exercício da liberdade imprensa, assumindo-a como condição essencial para a prática profissional do jornalismo. O autor quis, então, compreender se a concentração da propriedade dos órgãos de Comunicação Social limita a actuação dos jornalistas.

O autor destaca, antes de mais e bem, o facto da liberdade de imprensa e a liberdade de expressão permitirem a formação do debate público, que é condição essencial para a formação das consciências individuais e colectivas. O principal objectivo desta obra, largamente atingido, é perceber como se exerce o direito à liberdade de imprensa num contexto em que a maioria dos meios de Comunicação Social funciona segundo as lógicas do mercado, integrando grupos de considerável dimensão. Neste sentido, primeiramente Silvino Évora faz uma incursão por dois corpos de literatura. Num primeiro momento, aborda a economia política da comunicação para compreender as lógicas que fundamentam a integração dos grupos e as dinâmicas da concentração mediática. O segundo corpo da literatura estudado foi a Escola de Frankfurt, olhando os seus argumentos sobre as indústrias culturais para procurar ter uma postura mais crítica em relação à natureza das próprias notícias.

Na segunda parte do livro, o autor apresenta um interessante e abrangente estudo empírico que visa compreender a percepção dos jornalistas portugueses relativamente ao exercício da liberdade de imprensa. Procura perceber que áreas de cobertura jornalística são mais sensíveis à problemática da concentração dos media, qual a percepção que os jornalistas têm acerca dos actuais níveis de concentração de empresas de Comunicação Social em Portugal e até que ponto a precariedade de emprego influencia a qualidade da informação que chega ao público. Silvino Lopes Évora aborda ainda a questão dos jovens jornalistas, tentando perceber de que forma os que agora ingressam a profissão encaram a situação.

O estudo empírico começa por uma interessante análise da concentração da propriedade dos media, partindo dos cenários e tendências globais para, posteriormente, se centrar nos actores portugueses e retratar, em particular, quatro grupos: Imprensa, Media Capital, Cofina e ControlInveste. A investigação está dividida numa perspectiva de territórios: – o território da liberdade de imprensa e a percepção dos jornalistas; – o território da concentração dos media em Portugal e a percepção dos jornalistas; – o território das notícias, isto é, a prática das notícias e a percepção dos jornalistas.

Os resultados deste trabalho empírico, que resulta da implementação de inquéritos a 100 jornalistas profissionais e seis entrevistas de profundidade, revelam interessantes conclusões. Alguns resultados merecem particular destaque:

– a maioria dos jornalistas considera que a liberdade de imprensa é insuficiente para a prática de um jornalismo completamente livre e isento;

– grande parte dos jornalistas argumenta que a concentração dos media “domestica” quase todos os profissionais e que a auto-censura é o caminho de defesa adoptado por muitos profissionais;

– a maioria admite que a concentração da propriedade dos media obriga muitos jornalistas a abandonar determinados assuntos para evitar problemas com a administração da empresa;

sobre a auto-censura: a maior parte considera ser mais frequente, mas 27% da amostra trabalhada sublinha a censura das administrações das empresas como sendo frequente e 17% destaca também a censura externa à empresa;

– a precariedade de emprego é uma preocupação transversal a toda a amostra e é apontada como o principal factor de “domesticação” dos jornalistas;

– a maior parte dos jornalistas inquiridos considera que a concentração é excessiva e que os actuais níveis são prejudiciais ao pluralismo da informação, defendendo que favorece mais as finanças das empresas do que a necessidade pública de informação. Ainda assim, o lugar do jornalista na empresa é interpretado pelos próprios como factor de sucesso ou insucesso desta;

– muitos dos jornalistas que sustentam que a concentração é excessiva, argumentam também que ela é necessária mas que limita a cobertura jornalística – em particular nas áreas da Política e da Economia;

– poucos jornalistas revelam sentir-se pressionados mas admitem que existe pressão nas empresas.

Esta obra levanta o véu sobre outro fenómeno que domina a classe jornalística portuguesa e que está directamente relacionada com mecanismos de defesa que advêm do medo, da precariedade de emprego e da própria concentração da propriedade dos meios de Comunicação Social. Neste sentido, o estudo de Silvino Évora mostra que, em cenários abstractos, os jornalistas portugueses admitem que a concentração dos media é um factor prejudicial para o exercício do direito à liberdade de expressão. No entanto, quando se referem à sua experiência, a maior parte considera que é livre mas os outros jornalistas não são. Como destaca e bem o autor, estes mecanismos de defesa procuram igualmente passar valores de autonomia, isenção e independência.

Silvino Évora destaca, e bem, a dificuldade de estudar a concentração dos media. Efectivamente, as razões da complexidade deste campo de investigação passam pela postura defensiva dos jornalistas e das empresas para as quais estes trabalham. O autor conclui que os profissionais do jornalismo em Portugal têm plena consciência dos constrangimentos que a concentração da propriedade dos media imprime à profissão. Neste sentido, considera que a liberdade de informação é insuficiente para a prática de um jornalismo que responda à verdadeira necessidade pública de informação.

O estudo de Silvino Évora é dinâmico e muito esclarecedor da situação dos jornalistas portugueses, indiciando práticas de auto-censura e limites à liberdade de imprensa. A precariedade de emprego é apontada como o principal factor que contribui para a degradação do direito à liberdade de imprensa e, neste sentido, para a própria deterioração do próprio espaço público. A principal conclusão desta obra é a de que a concentração da propriedade dos media limita o exercício do direito à liberdade de imprensa. É nesta perspectiva que o autor sublinha a necessidade de repensar o mercado profissional e, sobretudo, “apertar” a vigilância às condições em que os jornalistas mais novos trabalham. Silvino Évora sublinha que “no contexto mediático português, a luta pela liberdade de imprensa passa por compreender a economia dos media e os processos subjacentes ao próprio negócio da Comunicação Social”. O autor deixa a indicação de que se, por um lado, é importante a autonomia dos media; por outro, é urgente evitar que o sector dos media se transforme num campo estritamente económico onde as empresas batalham única e exclusivamente pelo lucro.

 

Declaração de interesses: Silvino Lopes Évora é meu colega no CECS, foi meu companheiro nas aulas do Mestrado e é, sobretudo, meu amigo.


A Year Inside The New York Times

More about Page One: A Year Inside The New York Times in IMDB


Da Hungria, com censura

A censura na Hungria tem estado a marcar o mês de Janeiro. No primeiro dia útil deste ano, um dos principais diários da Hungria, o jornal Népszabadság, escrevia na sua manchete a frase “A liberdade de imprensa na Hungria acabou”, escrita nas 22 línguas da União Europeia. Os sinais que chegam de Budapeste são muito preocupantes.

O jornal de centro-esquerda pretendia protestar contra a lei aprovada a 21 de Dezembro no Parlamento que fixa multas até 750 mil euros para os autores de notícias que “não sejam politicamente equilibradas”, ofendam a “dignidade humana”, “o interesse público” ou a “ordem moral”.

O que for considerado uma ofensa vaga será analisado pela nova entidade reguladora, cujos membros foram todos nomeados pelo Governo de Viktór Orban, que detém uma maioria de dois terços no Parlamento. Será esse organismo regulador a aplicar a respectiva punição.

Desta censura legislada ainda a destacar as possibilidades de punir bloggers, mesmo que escrevam fora do país, e de obrigar os jornalistas a revelar as suas fontes sempre que esteja em causa a “segurança nacional”.

A primeira reacção foi da Organização para a Cooperação e Segurança na Europa que considera que esta nova lei “viola os padrões de liberdade de imprensa” e “põe em causa a pluralidade e a independência editorial”.

Uma das primeiras medidas da nova entidade reguladora foi abrir uma investigação a uma rádio privada da Hungria que passou uma música do rapper Ice-T, que a nova entidade reguladora considera que influencia negativamente o desenvolvimento das crianças.

Nas ruas do país já começaram os protestos, que foram organizados online através de uma página no Facebook. Pelo meio ficaram promessas vãs de que a Hungria alteraria a lei, caso a UE o solicitasse. Mas, até agora, Bruxelas limitou-se a pedir explicações a Budapeste.

Recorde-se que a Hungria assumiu no dia 1 de Janeiro a Presidência rotativa da União Europeia. E está neste momento sob fogo por causa de aplicar medidas fiscais discriminatórias a empresas europeias. Começa mal o ano de 2011 para a União Europeia. Sem dúvida. As notícias são preocupantes e fazem eco em todo o mundo mas não se vislumbram medidas a sério da UE. Tristemente, os destinos da UE são agora presididos por quem legislou a censura.


The future of news?

#MMGvsMP

A hashtag #MMGvsMP rapidamente se espalhou pelo Twitter depois do Jornal Nacional da TVI na passada sexta-feira (22.Maio), em que Manuela Moura Guedes e António Marinho Pinto protagonizaram qualquer coisa próxima de um espectáculo ao invés de uma entrevista. No YouTube e nos vídeos do SAPO é possível encontrar excertos da suposta entrevista. Na blogosfera o assunto foi amplamente discutido (sugestão de leitura interessante: Jornalismo e Comunicação) A acessa discussão fez daquele momento um autêntico acontecimento.

Algumas notas que me parecem evidentes, a propósito deste assunto:

– Manuela Moura Guedes tem um estilo próprio, goste-se ou não. Marinho Pinto já o sabia. E levou a lição (bem) estudada. Os dividendos são óbvios.

– A jornalista da TVI foi (visivelmente) surpreendida com a fúria do bastonário porque substimou a sua prestação/integração no espectáculo das sextas-feiras.

– A acessa discussão mais não é do que um espectáculo degradante de duas pessoas que gerem muito mal a exposição pública e defendem à risca que devem dizer o que entendem. Ora, nem numa profissão nem noutra o podem fazer sem demonstrarem que é verdade, com o respeito pela lei.

– Extraordinário é ver como MMG e MP conseguiram angariar tantos amores e ódios durante um fim-de-semana em que o jornalismo foi a própria notícia.

Update

Segundo o DN, o Jornal Nacional da TVI registou na sexta-feira a mais baixa audiência deste ano.


Em Estágio

Em Estágio é o novo blog do jornal Público. Este espaço é alimentado por estagiários em funções nas redacções deste órgão de comunicação e proposta é a de «analisar o trabalho jornalístico pelos olhos daqueles que começam agora a exercer a actividade. Questões éticas e deontológicas, dificuldades que se encontrem no decorrer das funções, ou mesmo reflexões sobre a actualidade são o tipo de assuntos que o “Em estágio no PÚBLICO” se propõe abranger.»

Reflexões sobre a actualidade, rotinas e a experiência de trabalhar numa redacção já estão disponíveis nos (ainda) escassos posts que o blog apresenta. A ideia parece-me muito interessante e a seguir atentamente, já que serve um duplo propósito: responsabiliza os autores (já que os sujeita a escrutínio público) e incentiva a partilha de impressões (numa fase em que os novos jornalistas geralmente são um misto de emoções).


i, uma aposta no online?

O primeiro número do “i” já está nas bancas.

i - 7 de Maio de 2009

i[Sobre a capa: Paulo Querido acaba de escrever no Twiter que acha que a capa do i é muito parecida com a do Público. Estou de acordo.]

O site precisa de alguns ajustes mas utiliza algumas ferramentas interessantes e tem áreas a descobrir, como a iTV. O i tem ainda blogs, uma secção intitulada iRepórter que promove o tão apregoado “cidadão jornalista” (embora falte aqui, para já, edição e a referência da autoria. Não consegui identificar em todos os textos) e também está no Twitter em @itwitting, no Flickr, YouTube e Facebook.

Existe a preocupação de integrar quase sempre fotografias e uma novidade: ainda não vi nenhuma peça não assinada, facto pouco comum no Ciberjornalismo em Portugal. Há tags para catalogar os textos e uma nuvem no index. Todos os artigos têm as tradicionais opções de enviar e comentar, assim como as cada vez mais frequentes possibilidades de partilhar (aqui ainda faltam algumas. Eu sugiro o Digg e o Delicious – que o Alexandre Gamela também já tinha citado, o Paulo Querido referiu e bem o DoMelhor) e votar. No final dos textos novamente as mesmas ferramentas, a caixa de comentários e um link para o iRepórter a partir do mote «Tem mais informações sobre esta notícia? Conte a sua história. Seja um iRepórter. Partilhe a sua experiência». Numa coluna do lado direito existem links para notícias relacionadas.

O conteúdo está organizado nas secções “Portugal”, “Mundo”, “Desporto”, “Dinheiro”, “Boa Vida”. Existem ainda as áreas Radar e Zoom. A primeira lista as notícias das últimas 24 horas, a segunda é uma secção identificada com “relevância e profundidade”.

Há também o tradicional registo das notícias mais lidas e mais comentadas, acrescentando a menos comum funcionalidade “mais enviados”.

O acesso à secção de Opinião é feito através do index, na coluna do lado esquerdo. Os outros meios de comunicação do Grupo estão também referenciados com hiperligações, numa página própria.

Interessante é o slideshow que surge no topo com as manchetes e ainda uma caixa (na coluna direita) intitulada “Jogos ao Vivo”. Ficamos é sem saber, por enquanto e até ao início dos jogos da UEFA desta noite, se terá apenas o resultado ou informação “minuto a minuto”.

A aposta na interacção parece clara e está bem vísivel no site:

«Iniciámos um novo caminho na internet.
Interactividade, comunidade, redes sociais e jornalismo do cidadão são palavras que todos conhecemos.

O ionline é o diário que o vai manter informado ao longo do dia, ligando-o ao melhor do mundo global – das grandes questões que nos preocupam (a si e a nós), aos acontecimentos e tendências que nos divertem.

O ionline será feito também por si: como iRepórter, como crítico de cinema, de restaurantes, de livros ou de música.

No ionline partilhará a sua opinião com milhares de outras pessoas para chegar a novas audiências.

Estamos a trabalhar para que, muito depressa, descubra outras novidades.
Mas porque não sabemos tudo, queremos ouvi-lo a si.
»

Ainda não li a versão em papel (shame on me). Vi apenas a entrevista a Obama como um exclusivo e uma novidade, o que não é de todo verdade (a novidade, já que o exclusivo pela compra será). E no site não está a indicação da autoria da entrevista. Sobre a versão impressa, vale a pena ler Luís Santos.

Do online retenho, para já, uma boa impressão. O design da interacção e design de conteúdos parecem eficazes, num layout clean. Não há ruído nem conteúdos em excesso na primeira página. Há preocupações ao nível da acessibilidade e usabilidade.

Ainda assim, importa que sejam corrigidas algumas falhas. Do que já vi, parece-me que falta:
– produzir notícias hipertextuais e hipermedia;
– conciliar a escrita com a vertente visual na apresentação das peças. O editorial tem esse cuidado, mas nem todos os artigos o conseguem;
– não ter medo dos links externos;
– melhorar a interacção nas redes sociais, sendo já um ponto positivo o reconhecimento da necessidade de utilizar os social media;
– a integração de ferramentas como o Digg, Delicious, DoMelhor, StumbleUpon na ferramenta “Partilhar”;
– disponibilizar rapidamente feeds RSS e das várias secções, para além dos já indicados no site: Última Hora, Portugal e Desporto;
– integrar infografia;
– editar a secção iRepórter e clarificar a autoria desses artigos;
– retirar “contenidos” dos url’s. Verifiquei que em algumas secções já figura “content” e esta manhã, via Twitter, foi dada a explicação de que a empresa que produziu o site e gere o CMS é argentina. Ok, mas isso não é desculpa. Seja como for, parece-me muito interessante a interacção inicial logo no primeiro dia;
– retirar do mapa do site conteúdos e serviços que ainda não estão acessíveis como iMóvel e Podcasts;
– manter a consistência: no mapa do site há a possibilidade de aceder ao serviço “Alertas” via email que não está disponível no index. Há ainda a hipótese de subscrever notícias sobre “Ciência e Tecnologia”, secção que não está visível (ainda?);
– oferecer formas simples de lidar com os erros e ter uma página própria de erro;
– apresentar contactos e permitir feedback para além dos comentários;
– criar espaço(s) próprio(s) no site para a promoção de uma comunidade. Mesmo que baseada nas redes sociais, se o propósito é promover uma comunidade então é necessário um espaço;
– introduzir ferramentas de personalização.

As expectactivas eram elevadas e as reacções ao novo jornal não estão a ser as melhores. Haverá um longo caminho para o i, tanto no que diz respeito à conquista do seu público como na procura de uma identidade. Há lugar para mais um jornal diário em Portugal? O i vai transformar-se numa sequela do Independente? O projecto editorial é sólido? Muitas perguntas para tão pouco tempo. Aguardemos. Ainda só saiu o primeiro número, pelo que venham os próximos.


Rocky Mountain News [1859-2009]

A ler

Novo site

O Jornal de Notícias tem um novo site.


O argumento fácil

Não vi ontem o jornal da SIC, mas através do Paulo Querido fiquei a saber que os perigos da Internet foram o tema de ontem do Aqui e Agora. O vídeo está disponível aqui. Francamente, acho que os argumentos apresentados são tão básicos que nem me apetece escrever sobre o assunto. É mais do que evidente que a falta de conhecimento origina estas ideias com lógica de batata. Mas enfim, não escrevo mais antes que este blog se torne um perigo. Sugiro a leitura deste post do Paulo. Está lá tudo o que eu queria dizer.


A dança das cadeiras

José Fragoso na RTP, para a direcção de programação – nada melhor do que um jornalista para este cargo…

Paulo Baldaia na direcção da TSF.


Excuse me?!



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