CIBERESFERA

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YECREA Pre-conference – ECREA 2018

Three Young Scholar Workshops: Methods, Writing and Activism

(Website)

— NB! All three workshops are free of charge thanks to funding from ECREA. —

The Young Scholars Network of ECREA (YECREA) is happy to invite students and early-career scholars to a full day of workshops in connection to the 7th European Communication Conference (ECC) in Lugano, Switzerland.

Date: 31 October 2018, 9.30 – 17.00.
Submission deadline for abstracts: June 15, 2018
Number of participants: 8-10 for each workshop.
Fee: Free of charge

The pre-conference consists of three workshops, covering different theoretical, methodological and practical tasks and challenges for young researchers. Applicants can apply to all three panels or just a single panel, if they wish to.

The aim is to provide a forum of knowledge exchange between young researchers where they can present their work, receive feedback from senior scholars and take part in discussions.

1) Workshop on Methodological Challenges: Opportunities and Challenges of Action Research
31 October 2018, 9.30 – 11.30

This workshop is designed for young scholars who are either working with digital activists or seeking to do so in the near future. Through feedback sessions and roundtable debates, the workshop aims at equipping young scholars with both knowledge and support for their research projects.

Senior facilitators: Jule Uldam (Roskilde University) and Tina Askanius (Malmö University)

2) Workshop on Academic Writing: Writing Academic Publications Based on Your Research
31 October 2018, 12.30 – 14.30

This workshop is organised to be a communication platform that provides early career scholars with support and ideas for publication writing.

Senior facilitators: Prof Pille Pruulmann-Vengerfeldt (Malmö University) and Alessandro Nanì (Tallinn University).

3) Workshop on Digital Methods: Researching Digital Media Environments
31 October 2018, 15.00 – 17.00

New digital media platforms offer new ways of undertaking research in media and communication studies. But as the means through which data are being collected, they also need to be inquired for the ways in which they are making data accessible. This workshop session intends to give an overview of digital methods and critically investigates their
potentials.

Senior facilitators: Andreas Hepp (ZeMKI, University of Bremen) and Cornelius Puschmann (Hans Bredow Institute for Media Research and Alexander von Humboldt Institute for Internet and Society)

How to apply
Submissions should be sent to yecreapreconf@gmail.com with the following information:

Subject line:
Application for workshop 1, 2 and/or 3
In Email:
Name, Position, Affiliation, Research stage (e.g. Year/phd/postdoc), Research topic and progress (short description of research topic and stage, e.g. initital design, data collection or analysis).
Attached:
For workshop 1: 300 word abstract on activist-research collaboration (e.g. research design, methodological challenges or findings).
For workshop 2: 400 word abstract on the difficulties academic scholars face while writing publications + three questions for the speakers related to the topic.
For workshop 3: 500 word abstract of the research project (theoretical framework, methodological approach, data collection – if applicable)

Schedule
Deadline for submissions: 15 June 2018
Notification of Acceptance: 15 July 2018

Registration
All three workshops are free of charge.
This includes coffee (in workshop 1 and 3) and lunch (workshop 2)

Organizers
Johan Farkas (Malmö University) – Workshop 1
Anna Zsubori (University of Leicester) – Workshop 2
Inês Amaral (University of Minho) – Workshop 3

If you have any questions, please contact yecreapreconf@gmail.com

 


WCQR2018 | 3rd World Conference on Qualitative Research


RedMIL 2018 doctoral summer school – Research on Digital/Media/Information Literacy

RedMIL 2018 doctoral summer school – Research on Digital/Media/Information Literacy
UCLouvain, Belgium – September 11th-14th, 2018

The RedMIL 2018 doctoral summer school aims at contributing to the convergence between digital, media and information literacy research by bringing together researchers from all three communities, to foster the scientific debate and explore connections between them.

The summer school is an international training program that will alternate between framing presentations by senior researchers and the in-depth discussion of emerging research by participating PhD students.

The theme of the 2018 edition is: “Literacies as culture, practices, or competences”. Participants will be invited to question the way they define digital/media/information literacy in terms of culture, practices, or competences, what it entails in terms of methods for their research, and how it shapes the usefulness of their research and how and where they can valorize its outputs.

The Summer School will include six half-day workshops on the following topics:
theoretical frameworks in the study of digital, media and information literacies (one workshop);
epistemological issues in new literacies research (one workshop);
methods for observing, documenting, and assessing literacies and their associated educational practices and policies (three workshops);
designing research with social relevance and valorizing research results in society (one workshop).
Participating PhD students will have the opportunity to present their work in two workshops, on two different topics.

Confirmed speakers:
Maria José Brites, Lusófona University of Porto, Portugal
Sirkku Kotilainen, University of Tampere, Finland
Normand Landry, TELUQ (Université du Québec), Canada
Olivier Le Deuff, Université Bordeaux Montaigne, France
Annemaree Lloyd, University of Böras, Sweden
John Potter, University College London, United Kingdom
Leo Van Audenhove, Vrije Universiteit Brussel, Belgium
PhD students wishing to present and discuss their doctoral research at the summer school are invited to submit an application no later than June 1st, 2018.

The Summer School will also allow for numerous informal interactions (including a networking dinner) between experts, researchers and PhD students.


MASTERCLASS MULTIMÉDIA: MÉTODOS DIGITAIS

O ISMT recebe a MasterClass “Métodos Digitais”. A oradora convidada é Janna Omena, investigadora do iNova Media Lab da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

A Licenciatura em Multimédia do Instituto Superior Miguel Torga organiza, no 2º semestre do ano letivo 2017/2018, um conjunto de MasterClasses que pretendem funcionar como sessões abertas à comunidade académica e exterior à instituição. O objectivo é trazer ao ISMT profissionais de excelência em áreas fundamentais da Licenciatura num modelo mais prático de partilha de conhecimento.

Janna Joceli C. de Omena é doutoranda em media digitais na Universidade Nova de Lisboa – Faculdade de Ciências Humanas e Sociais (FCSH), um curso que faz parte do programa UT Austin Portugal. É a coordenadora da SMART (Social Media Research Techniques) no iNOVA Media Lab. Desde 2013, Janna dedica-se a estudos de media sociais e à abordagem de métodos digitais. Os seus interesses de investigação estudos de software e plataformas, técnicas de media sociais e métodos digitais. O seu trabalho de investigação tem-se debruçado sobre a técnica inerente das plataformas de redes sociais e como isso facilita ou compromete a pesquisa digital.

A sessão decorre no dia 5 de abril, às 11h, na sala 2 do edifício da Rua Augusta. A entrada é livre.

 


Tecnologia: o teu futuro?

A comunidade Geek Girls Portugal é a primeira comunidade portuguesa de mulheres em tecnologia, criada em 2010. A sua missão foca-se no apoio, capacitação e progressão profissional de mulheres na área tecnológica. Acreditamos que ainda existe um longo percurso pela frente para desmistificar esta área junto das jovens, de modo a que possamos ver cada vez mais mulheres ligadas à tecnologia, vertente em que existe uma vasta oferta de empregabilidade. Em 2015, a taxa feminina de diplomadas no Ensino Superior em Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) foi de 18.5%, correspondendo a apenas 956 mulheres (dados Pordata).

Nesse sentido, estamos a organizar um evento no dia 5 de maio de 2018, nas nas instalações do Media Innovation Labs da Universidade do Porto, para jovens estudantes do sexo feminino, com idades compreendidas entre os 13 e os 17 anos, no qual poderão assistir a apresentações – na primeira pessoa – sobre profissões na área das tecnologias, esclarecer dúvidas e participar em workshops, para que as nossas jovens possam fazer uma escolha esclarecida e fundamentada para o seu futuro profissional. Os Encarregados de Educação são convidados a acompanhar as suas educandas e a participar na 1ª parte do evento para também ficarem a conhecer melhor esta área das TIC e a sua vasta oferta de saídas profissionais.

O evento tem o Alto Patrocínio da Secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade e conta com o apoio de várias empresas do setor tecnológico fortemente implantadas na região Norte, como a Critical Manufacturing, Eurotux, Elo Sistemas de Informação, BindTuning e Ubiquity. Conta ainda com o apoio da Associação para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade de Informação (APDSI). A participação no evento é gratuita, mas está sujeita a candidatura até 15 de abril.
Mais informações sobre o âmbito do evento e candidaturas aqui.

Workshop “Digital Literacy and Gender Violence on the Internet”

Feito com Padlet

Workshop “Digital Literacy and Gender Violence on the Internet”
Transmedia Literacy Internacional Conference – 23 March – Barcelona, Spain | Inês Amaral (CECS/ISMT) and Patrícia Silveira (CECS/IADE/UCP) – Portugal


Curso em Direitos Humanos, Literacia Mediática e Digital

“A capacidade de interpretar com rigor as mensagens dos media convencionais e as que circulam na esfera digital é um instrumento essencial de info-inclusão, de cidadania e de afirmação dos Direitos Humanos. A partir de uma abordagem multidisciplinar e com uma forte componente prática focada em áreas temáticas que cruzam Direitos Humanos essenciais, este curso pretende sensibilizar os participantes para o papel dos media e da esfera digital na modelação da sociedade, bem como explorar ferramentas e metodologias de análise dos seus conteúdos, a partir e com os Direitos Humanos.”

Início: 03/05/2018
Término: 17/05/2018
Limite de candidatura: 29/04/2018

Mais informações aqui.

 


Call for papers – OBS Special issue on The co-option of audience creativity on digital platforms

Through its 3-year of activity, the Consortium on Emerging Directions in Audience Research (CEDAR), a network funded by the AHRC in the UK  has observed that the co-option of audiences by large, global players is becoming more intricate than previously. While a number of factors account for this development, the co-option of audiences is increasingly made possible by the appropriation of technology in the development of digital media platforms. These media are able to turn audience’s work and engagement into commodities for attracting attention, metrics to be sold to advertisers and business models (Andrejevic, 2009; van Dijck, 2013; Hearn & Schoenhoff, 2016).

While user-generated content such as blogging or vlogging is a clear sign of audience agency, there is an increased tendency for that work to be co-opted by private and public media, hence leading to new forms of power imbalance between media and audiences. The co-option of audiences refers generally to the appropriation of audience labour, their ideas or the content of their productions, for one’s own purposes, be it by media and other organisations. But it also involves the process of gaining the audience’s agreement and consent in contributing to the objectives of the organisation and the establishing of new forms of relationship between audiences and platforms. On the other hand, audiences sometimes appreciate the recognition of their production by more established media or producers, such as fan communities. Hence, there is an important dialectic dimension in which co-option is negotiated, in which conflicts and tensions arise, and in which norms, rules and roles are redefined (Stehling *et al.*, forthcoming).

This topic has been discussed by political economy of communication and in particular of the web 2.0, focusing on the exploitation of audiences’ work as free labour (Andrejevic, 2009; Wasko, Murdock & Sousa, 2014; Fuchs & Sevignani, 2013), and by cultural studies through the notion of participation (Jenkins, 2006; Jenkins & Carpentier, 2013). However, Vesni? -Alujevi? and Murru (2016) claim the urgency of finding bridges between those perspectives.

*This special issue wishes to investigate the dialectic nature of co-option of audience creativity in blogging and vlogging platforms such as YouTube, Facebook, Instagram etc. Can the commodification of audience creativity and the emancipation it creates live side by side within the same model? When a YouTuber advertises a product, is the content different and does it entail different forms of communication to and from the audiences? How do popular and professional or semi-professional Youtubers, Instagrammers, etc negotiate the boundaries of their work and retain their integrity and authenticity?*

Are welcome contributions to answer these and other related questions by paying attention, amongst others, to:

– the processes of produsage and co-creation of media content by the audiences within new practices of co-option by different kinds of power;

– the commercialisation of “micro-celebrities”/“social media influencers” (in digital platforms as YouTube, blogs, Instagram and Facebook);

– the use of algorithms and its impact on audience creativity;

– the strategies deployed to encourage and orient (or block and prevent) the production of content that (dis)serves the interests of non-audience actors (owners, administrators, advertisers, etc.);

– the processes and mechanisms of translation, such as datafication, metrification, by which audience creativity is co-opted;

– the formation and negotiation of new business models throughout the co-option of audience labour;

– the complex landscape of cross-interests and mutual influences between content users and producers;

– the redefinition and negotiation of audience’s roles and relations with other actors.

For questions, please contact Special Issue Guest Editor Ana Jorge:
anajorge@fch.lisboa.ucp.pt

Submissions should follow the manuscript format guidelines for OBS* at
http://obs.obercom.pt/index.php/obs/about/submissions#onlineSubmissions.

All manuscripts should be submitted to anajorge@fch.lisboa.ucp.pt , until March 30th 2018.


Las nuevas (viejas) narrativas en la era digital: representaciones sociales del edadismo desde una perspectiva de género

La contemporaneidad es testigo de la aparición de una multiplicidad de discursos discriminatorios sobre envejecimiento, que son difundidos y propagados por los medios de comunicación, los cuales crean y reproducen identidades sociales y grupales mediante la explotación de estereotipos y representaciones sociales. Asumiendo la naturaleza cambiante y transformadora de la sociedad, el discurso se refiere a la construcción de los individuos que actúan en un mundo social, transformándolo y siendo transformados por él. Las representaciones que se comparten socialmente contribuyen a la percepción que posee un grupo concreto sobre la realidad común. A esto hay que añadir que los discursos, cuando son legitimados socialmente, son asumidos como una verdad imperante.

Tradicionalmente, las responsabilidades y los roles que se asignan a los hombres se corresponden con el dominio público, la orientación de los medios de subsistencia y sus resultados, la competitividad, independencia y fuerza; mientras, los roles de la mujer se ciñen al dominio privado, el cuidado de los otros, domesticidad, basados en características más emocionales, relacionales y estéticas.

Las representaciones sociales de género determinan “quién hace qué” tomando como base “cómo son las mujeres” y “cómo son los hombres”. Estas representaciones son normativas y vienen impuestas en la definición de las distintas capacidades, roles y funciones entre mujeres y hombres. En consonancia con estos roles y estereotipos de género, el hombre, considerado el grupo dominante, no está limitado a un único rol, como sí ocurre con la mujer. Estas representaciones se verán reflejadas en los roles desempeñados por hombres y mujeres en las distintas esferas, así como en las expectativas sobre su comportamiento. En esta línea de pensamiento, podemos considerar que los medios juegan un papel crucial en la definición y refuerzo de las características culturales de una sociedad. Y, por tanto, entre sus potenciales atributos se encuentran la modelación de los conceptos sobre envejecimiento y el rol de las personas mayores en la sociedad.

El fenómeno del envejecimiento demográfico ha suscitado un creciente interés en los ámbitos científico, mediático y político, además de estar al orden del día en el ciberespacio anónimo. Los discursos políticos sobre envejecimiento activo refutan las representaciones negativas y discriminatorias del envejecimiento. Observando la importancia del mundo digital en la interacción y construcción de identidades sociales, se considera de gran importancia entender cómo se representa la edad avanzada en las narrativas digitales, así como saber si este medio, por su distribución desagregada de contenidos, puede ser una herramienta para la reconstrucción de significados y verbalización de representaciones menos convencionales de la vejez, el envejecimiento y el edadismo. Es también muy importante considerar cómo las personas mayores pueden resistir al edadismo a través de internet, en especial a través de las redes sociales.

Internet puede representar una oportunidad para la inclusión y mejora de la calidad de vida de los ciudadanos, especialmente para las personas mayores. Sin embargo, los cambios demográficos y socioculturales empujan a las personas mayores hacia la exclusión digital y social. El aumento de la edad se asocia también con la disminución del acceso a Internet, así como con modelos de uso y patrones de conexión limitados. Las diferencias de edad son especialmente pronunciadas en aquellos individuos que han cumplido 60 o más años. Trentham et al. (2015) concluyeron que las personas mayores pueden oponer resistencia a la discriminación por edad mediante las redes sociales, contradiciendo el discurso de las narrativas dominantes sobre su incapacidad para adaptarse al mundo tecnológico. Danah Boyd argumenta que las redes sociales “permiten el encuentro con fines sociales, culturales y cívicos, y ayudan a las personas a conectar con un mundo más allá de sus amigos y familiares cercanos” (2011, p.39). El compromiso de los ciudadanos puede depender de estas herramientas, que pueden ser instrumentos inclusivos de apoyo y promover el cambio social.

En una era en la que la noción de envejecimiento está experimentando cambios con grandes impactos sociales e individuales, el discurso digital es un importante factor de comunicación para el cambio social. Las imágenes y representaciones de la vejez son construcciones sociales en un constante estado de cambio relacionadas con el contexto político y socioeconómico, y las narrativas digitales colectivas ejercen tanta influencia en la auto y hetero-categorización de las personas mayores, como los discursos no digitales. Esto explica la necesidad urgente de comprender cómo el discurso digital puede transformar la representación de la vejez y participar en la creación de nuevas identidades y relaciones sociales que inciten al cambio en la concepción del envejecimiento mantenida por las sociedades contemporáneas.

 

NOTA: Extracto de su conferencia en el II Congreso Internacional Envejecimiento Activo, Calidad de Vida y Género, celebrado en la UC3M los días 26 y 27 de octubre de 2017.

Traducido del inglés por María Sánchez-Román. Personal Investigador de Apoyo en el Programa ENCAGE-CM.

Referencias:

Inês Amaral. Universidad do Minho e Instituto Superior Miguel Torga. Investigadora visitante del Programa ENCAGE-CM.


O lápis azul de Angola – há 16 anos era assim

Textos, textos e mais textos. Basicamente a minha vida tem mais textos do que dias. Hoje, ao arrumar uma série de ficheiros, encontrei um texto que escrevi há quase 16 anos. Em Junho de 2000, mais precisamente. Por tudo o que se passa hoje, 16 anos depois que aparentemente não passaram, decidi publicar aqui o texto.
A 11 de Novembro de 1975 nascia a maior esperança africana – a República Popular de Angola. Agostinho Neto proclamava a independência e punha fim aos anos do colonialismo repressivo português. Vinte e cinco anos depois, assiste-se em Angola à morte da dignidade e da liberdade de um povo.

Nos últimos vinte anos, a comunidade internacional tem vindo a assistir à destruição de Angola. Os inconfessáveis interesses de grupos e o turbilhão da Guerra Fria revelaram a fraqueza de um projecto independente de afirmação nacional. Morto o projecto, hoje resta um povo que vive no silêncio e no esquecimento. As vozes que assistem à forma como as pessoas vão perdendo a esperança, apontam o dedo aos culpados. Mas a realidade do jornalismo angolano é bem mais complexa.

A censura em Angola remonta ao colonialismo português. Após a independência da antiga província ultramarina, o sonho de um país autónomo e livre tornou-se um pesadelo para os homens que fizeram a revolução e a viram ser-lhes tirada. O jornalismo angolano independente assume hoje uma luta para defender a liberdade a que tem direito.

Com o fim dos acordos de paz de Lusaka, em 1998, o retorno da guerra civil matou mais de meio milhão de pessoas e devastou a economia do país. A imprensa não escapou ilesa e, em Janeiro de 1999, o governo angolano impôs um “blackout” jornalístico no que respeita a notícias acerca da UNITA. Num comunicado divulgado via rádio, o Ministro da Informação, Hendrik Vaal Neto, afirmava que os jornalistas não se devem referir à guerra, para não semear no medo na população. No entanto, os media do governo continuam a difundir relatórios que minimizam as acções do exército estatal e caracterizam o líder da UNITA, Jonas Savimbi, um criminoso de guerra.

A Constituição da República Popular de Angola, consagra a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa nos artigos 32 e 35. No entanto, os seis jornais e as cinco rádios independentes que resistem em Angola são alvos de um novo “lápis azul”. Mas os sinais de desrespeito da lei e da Declaração Universal dos Direitos do Homem são também visíveis na comunicação social controlada pelo governo do MPLA e pela UNITA.

As represálias de parte a parte têm-se sucedido e, segundo o Comité de Protecção ao Jornalista, se o governo angolano evoca a antiga lei colonial que sanciona crimes contra a segurança do estado, o papel da UNITA na censura dos media independentes é ainda uma incógnita. Reginaldo da Silva, jornalista freelancer angolano, lembra que “a UNITA não tem necessidade de censurar porque o MPLA já se encarrega de o fazer. A UNITA ganha a guerra. Pelo menos a da censura”.

Recentemente, o mundo esteve com os olhos postos em Angola, para assistir ao julgamento do jornalista freelancer Rafael Marques, acusado de difamar o Presidente José Eduardo dos Santos, no seu artigo “O bâton da ditadura”, publicado no semanário independente “Agora”.

Marques foi preso em Outubro de 99 e esteve detido quarenta e cinco dias, o que não é permitido pela lei angolana. Acusado de crimes contra o estado, ao abrigo da antiga lei colonial 7/78, o jornalista entra em greve de fome, o que chamou a atenção da comunidade internacional.

No Tribunal de Província de Luanda, Aguiar dos Santos, director do jornal “Agora”, António Freitas, repórter do mesmo jornal, e Rafael Marques, autor do polémico artigo, são julgados por Joaquim de Abreu Cangato – um agente da polícia secreta angolana, sem formação legal. Luís Nascimento, advogado de Rafael Marques, entra com um recurso no Supremo Tribunal por não reconhecer a legalidade do processo e apela à defesa da verdade dos factos. Em protesto por lhe ter sido negado o direito a recurso, o advogado abandona a sala do tribunal. O juiz suspende a licença profissional de Nascimento por seis meses, mas é a Ordem dos Advogados que, por lei, tem poder para tomar essas decisões.

A 31 de Março, Rafael Marques é condenado a seis meses de prisão efectiva e a pagar uma multa de três mil contos por crimes contra a segurança do estado, por difamar o Presidente José Eduardo dos Santos e o Procurador Geral da República, acusação que, até então, nunca havia sido referida. Aguiar dos Santos foi condenado a dois meses de prisão, e António Freitas foi absolvido. No mesmo dia, em Lisboa, centenas de angolanos, que se manifestavam em frente à embaixada de Angola, gritavam palavras de ordem como “MPLA/UNITA deixem a nossa Angola florir”.

O Open Society Institute (OSI), uma organização sem fins lucrativos criada pelo investidor e filantropista George Soros (da qual Rafael Marques é o representante em Angola), condenou as irregularidades legais cometidas contra o jornalista: “a ausência de uma protecção mínima processual retira a esta acusação qualquer legitimidade e levanta sérias dúvidas sobre o compromisso do governo angolano em cumprir a lei e a liberdade de imprensa”. Confrontado com comunicado do OSI , José Leitão – assessor de José Eduardo dos Santos, argumentava que a sentença havia sido branda, tendo em conta que “os jornalistas ditos independentes estão obcecados em destruir o regime”.

O caso de Rafael Marques não está isolado no contexto angolano. José Manuel Alberto, José Cabral Sande, William Tonet, Josefa Lamberga, Joaquim Alves, Lara Pawson, Herculano Coroado Bumba, Machado Irmão, Paulo Julião, Laurinda Tavares, Filipe Joaquim, António Jaka, Emanuel da Mata, Reginaldo da Silva, Isaías Soares, Anicete dos Santos, Abel Abrão, Florentino Setila, Gilberto Neto, Maurício Cristóvão, André Domingos Mussamo, Aguiar dos Santos, António José Freitas, Gustavo Costa, Alves Fernandes, José Amorim e Francisco Lopes, são apenas alguns nomes de jornalistas independentes e correspondentes de medias estrangeiros – em particular de portugueses e norte-americanos , que viram violados os seus direitos desde Janeiro de 99. Para além dos jornalistas independentes, também é do domínio público que a delegação da RTP em Luanda tem sido alvo de permanentes ameaças e assaltos, levados a cabo por desordeiros não identificados. Cândida Pinto, jornalista portuguesa da estação de televisão SIC, está impedida, por ordem expressa do governo angolano, de entrar em Angola. A própria TPA (Televisão Popular de Angola) e a Rádio Nacional – órgãos governamentais, têm sofrido grandes pressões, tendo-lhes mesmo sido confiscados os arquivos. A Rádio Ecclesia, a Rádio Morena e os jornais “Agora”, “Folha8”, “Actual Fax” e “Angolense” são sujeitos, diariamente, a uma “apreciação” das páginas a publicar feitas por agentes do Departamento Nacional de Investigação Criminal (DNIC).

No último ano, o caso mais gritante foi o de Maurício Cristóvão, um jornalista de 24 anos da Rádio 5, o canal de desporto da Rádio Nacional, morto numa emboscada por um grupo de homens não identificados. Uma semana depois do assassinato de Cristóvão, num encontro com Avelino Miguel – secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA), o Procurador Geral da República assegurava que o governo reconhece “o valor e os benefícios da imprensa num estado democrático”, e que preza o papel da imprensa na “permanente luta contra todas as formas de ilegalidade em geral e de crime em particular”. Mas, numa conferência de imprensa, o Ministro da Informação Vaal Neto ameaçava mesmo “recorrer à violência” contra os media independentes que não apoiassem o exército governamental na luta contra a UNITA. Neto acusou ainda alguns jornais de serem “a quinta coluna do movimento de Jonas Savimbi”.

Durante um debate parlamentar, em Janeiro, um deputado do MPLA, Mendes de Carvalho, ameaçou de morte o jornalista Rafael Marques, caso este continuasse a escrever artigos críticos ao governo. Mas, quando em Fevereiro o Parlamento Europeu condena por unanimidade a forma como a liberdade de expressão e de informação tem sido silenciada em Angola, o governo de José Eduardo dos Santos reage abruptamente. Em resposta ao PE, emite um comunicado onde afirma que “o governo angolano despreza pessoas como o Dr. Mário Soares, cujas ligações políticas e ideológicas com o criminoso de guerra Jonas Savimbi são bem conhecidas. Essas pessoas que beneficiam da sua credibilidade, influenciaram o Parlamento Europeu a chegar a conclusões infundadas”.

A Kwacha – agência noticiosa da UNITA, tem vindo a relatar alguns casos de censura e violação dos direitos humanos, garantindo que o “Presidente Savimbi está solidário com os jornalistas”. A Angop – agência de notícias do governo, por sua vez, divulga diariamente declarações que Jonas Savimbi presta na Rádio “Voz do Galo Negro” (estação de rádio da UNITA), em que ameaça matar brancos e mestiços e “cortar as pernas dos jornalistas”. É neste contexto que se torna quase impossível discernir os factos verdadeiros dos fictícios em Angola. E mesmo na era da globalização, o contacto com o jornalista angolano quase não existe, já que a desconfiança é hoje a sua maior aliada.

Na guerra de palavras, “é impossível filtrar a verdade”, diz Reginaldo da Silva, que não esquece André Domingos Mussamo, um jornalista da Rádio Nacional e correspondente do jornal independente “Folha8”. Mussamo está preso desde Dezembro, acusado de crimes contra a segurança do estado. Quando foi detido, o jornalista estava ferido, na sequência de um acidente de automóvel. Os cuidados médicos foram-lhe negados, assim como o direito a receber visitas. Rafael Marques, eterno “inimigo” do governo, conseguiu, ao fim de muitas tentativas, entrar na cadeia de Cuanza do Norte, em N’Dalatando. Num relato impressionante, Marques descrevia Mussamo como “o rosto da liberdade atrás das grades”.

Perante a manipulação de informação típica de uma guerra, os jornais e as rádios independentes expõem a censura de que são alvos publicando páginas em branco e passando noticiários silenciosos. Os jornalistas ao serviço do MPLA e da UNITA são também fortemente censurados, sendo uns presos e processados, outros desaparecidos e alguns até assassinados, por desordeiros não identificados.

Diz, quem sabe, que “o lápis azul de Angola” tem balas.

Inês Amaral. Junho de 2000.

Estávamos em 2000. A guerra não tinha terminado. Savimbi era vivo. A prisão de Rafael Marques despertou-me para uma realidade que nunca mais me deixou. Nem eu a deixo.

Recuperar um texto de 16 anos e constatar que o que mudou, com a excepção da guerra, foi para pior é uma enorme dor de alma.

#liberdadejá para Angola, para os presos políticos angolanos, para o povo angolano. 36 anos é MUITO!

Voltarei ao tema “Liberdade Já” muito em breve.

 

[post publicado inicialmente no Aventar]


O tabu do tabu

Fazer uma reportagem com um ângulo definido e não procurar o outro lado é mau jornalismo. O Público este domingo, com o apoio da Fundação Francisco Manuel dos Santos, estreia a “Série Especial: Racismo em português” com a reportagem “Ser em africano em Cabo Verde é um tabu”. Não porque seja mentira que Cabo Verde, na generalidade, não quer ser África. É verdade. Mas a identidade cabo-verdiana existe e está bem vincada, nas nove ilhas habitadas. A generalização de África, enquanto continente, a uma única cultura (a dita “africanidade”) é a típica visão ocidental. Mas agora os ocidentais querem quebrar o tabu. E caíram no perigo da história única, que Chimamanda Ngozi Adchie explica tão bem. Entramos, portanto, na era do tabu do tabu.

A escritora nigeriana Chimamanda Adchie explica muito bem o perigo da história única. Basta começar a história por onde queremos e não vermos as diferentes perspectivas. “Se ouvirmos apenas uma história sobre outra pessoa ou país, corremos o risco de um erro crítico”. Tratando-se de um trabalho jornalístico, o caso é ainda pior. Leia-se, por isso, o lead da reportagem do Público: “Cabo Verde não é África, os cabo-verdianos são “pretos especiais” e os mais próximos de Portugal. É o país da mestiçagem, a “prova” da “harmonia racial” do luso-tropicalismo. Durante anos esta foi a narrativa dominante. Ser ou não ser africano ainda continua como ponto de interrogação.

Respeitando os testemunhos ouvidos, fica evidente que há uma posição e um ângulo de abordagem definido, fechado. Todo o trabalho vai no sentido de lhe dar resposta. Ler que a Educação ou a Saúde estão desfasados do país e não ler absolutamente nada sobre os números que contrariam esse argumento é assustador. Isto não é jornalismo. Eu também não vou fazer jornalismo, mas dar a minha opinião. Conheço relativamente bem, julgo que se pode dizer assim, o país. Venho cá há praticamente 20 anos. Tenho grandes amigos cabo-verdianos. Li e leio muito sobre o país. O meu tio-avô teve um papel preponderante na Educação em Cabo Verde, aquando das “duas independências”.

A democracia, a Educação e a Saúde são elementos que não estão desfasados do país. Não é porque Cabo Verde não segue a política dos países africanos que isso se traduz em racismo. Ter identidade própria não significa que a cor da pele distinga as pessoas. Neste arquipélago não distingue. É essa mestiçagem, de séculos, com uma cultura muito própria que cria a identidade deste país. E isso não é sinónimo de recusa total da africanidade mas da criação de um país próprio.

A reportagem seria muito mais rica que se contasse a História de Cabo Verde pós-independência, até 1990 literalmente debaixo do jugo da Guiné-Bissau, fruto da política do partido único. A reportagem seria muito mais rica se contasse a história da diáspora cabo-verdiana, que muito contribui para a mestiçagem e para uma identidade própria. A reportagem seria muito mais rica se contasse o papel dos holandeses nas ilhas e, actualmente, dos italianos. A reportagem seria muito mais rica se sequer falasse na questão dolorosa, bem sei, dos retornados – é que não há de Cabo Verde a não ser uns pides, as autoridades fascistas e pouco mais. A reportagem seria muito mais rica se fosse a cada canto perguntar quem é Amílcar Cabral, que todos sabem ser o pai do país. A reportagem seria muito mais rica se contasse os problemas que Cabo Verde enfrenta com o narcotráfico da Guiné-Bissau, Guiné-Conakri e Senegal. A reportagem seria muito mais rica se mostrasse a capacidade da Saúde no país (eu estava em Cabo Verde quando o Ébola ameaçou África. Cabo Verde foi o único país capaz de activar o protocolo de segurança em menos de 8 horas). A reportagem seria muito mais rica se explicasse os níveis de literacia, tão elevados para África, e motivo de natural orgulho. A reportagem seria muito mais rica se contasse a evolução que permitiu níveis de esperança de vida tão elevados num país onde nada há no chão. A reportagem seria muito mais rica se explicasse que nunca existiram etnias em Cabo Verde, um dos elementos base da africanidade.

A reportagem seria muito mais rica se não tivesse vindo à procura de algo que assumiu como verdadeiro mas se procurasse perceber a realidade do país. A começar pela sua História, que é diferente da maior parte dos países africanos. A começar pelos níveis de democracia, educação e saúde (adequados e nada desfasados. Basta entrar numa escola, numa universidade, num hospital ou numa farmácia), e mesmo de corrupção e criminalidade (baixos), que batem os índices de qualquer país com as mesmas condições de vida ou até melhores.

Cabo Verde tem muitos defeitos. Todos os países têm. Todos os povos têm. Mas tem duas coisas que poucos povos têm: memória e identidade. É claro que, em democracia há espaço, para todas as diferenças. E claro que há movimentos africanistas. Poucos, mas há. Agora falar de racismo em Cabo Verde implicaria regressar a 1460 e depois acelerar o passo para o regime salazarista e para os 15 anos de domínio da Guiné. Racismo não é não assumir, à força, uma cultura que não é a sua. Claro que as culturas e as identidades são dinâmicas, e estão em permanente mutação. Mas acusar de racismo, o sistema típico do opressor, um país que foi oprimido por outros dois parece totalmente ilógico. Tão irracional que custa a acreditar que foi publicado no jornal Público.

Unidade, Trabalho e Progresso são o lema de Cabo Verde. Quem vê racismo com base na cor da pele nesta terra, vê só o que quer ver e não a realidade. Quem não entende a recusa da africanidade por oposição a uma identidade de unidade, não entende a realidade deste país. A reportagem ficaria muito mais rica se o comandante Pedro Pires tivesse sido entrevistado. Ou qualquer outro/a guerrilheiro/a. Porque Cabo Verde não teve guerra mas fez a guerra na Guiné. E teve no país uma intervenção muito forte por parte da população. Quem quer continuar a fingir que Cabo Verde não teve um papel importante na luta pela independência das ex-colónias portuguesas, não sabe nada da História do país.

Escamotear a verdade em torno de chavões que chocam não é jornalismo. Lamento muito, Público. Lamento mesmo muito. E estou ansiosa por ler as restantes reportagens da série. Deduzo que o ângulo de abordagem seja o mesmo.

[A propósito ou a despropósito: é a minha estreia no Aventar. E escrevo precisamente de Cabo Verde]

 

[Post inicialmente publicado no blog Aventar]


O debate nos media digitais

Os media profissionais optaram por utilizar as redes sociais e os seus sites para acompanhar quase em tempo real o debate.

  • Público

O jornal Público criou uma página para relatar “ao minuto” o debate publicando opiniões de convidados, intercalados com tweets. Um formato diferente e interessante. Até às 12h, a interacção com este conteúdo tinha gerado 6 comentários e 92 partilhas. No Facebook publicou apenas um post a remeter para o link do relato quase em tempo real, com a hashtag #legislativas2015 e a gerar pouca interacção. No Twitter surgiram dois posts a linkar para o resumo ao minuto e com as hashtags  e .

  • Expresso

O Expresso publicou vários artigos no site sobre o debate. Fact checking, relatos das intervenções dos candidatos e um especial de análise ao minuto – análise da redacção e comentários dos leitores. Um formato também diferente e interessante. Aqui as hashtags também ficaram de fora e a redacção foi remetendo para links do próprio site. No Facebook foi mais escassa a intervenção do Expresso, havendo publicações contínuas sobre diversos assuntos. Como habitualmente (a página utiliza com grande regularidade, para indexar conteúdos), foram utilizadas as hashtags #ExpressoPolitica #Legislativas2015. No Twitter a actividade foi mais intensa, com recurso a feeds para publicação de artigos do site, com retweets das contas de jornalistas do jornal (essencialmente Martim Silva) e promovendo o comentário dos utilizadores no live blog. Ao longo da manhã, o Twitter do Expresso manteve também a publicação de outras notícias que marcam a actualidade. O Expresso está também a publicar opiniões de comentadores, e a replica-las nas redes.

  • Diário de Notícias

O jornal seguiu o formato do “resumo ao minuto“, fazendo destaque (manchete principal) na página mas não publicou outras peças sobre o debate. No Facebook, com uma interacção reduzida por parte dos utilizadores, foi publicando posts de “Siga ao Minuto”, remetendo para o link do site. No final do debate, republicou o link já com a análise final. No Twitter manteve a estratégia dos feeds que remetem para links do site, sendo que o streaming da conta mistura conteúdos sobre o debate entre muitos outros. A indexação de conteúdo não fez parte da estratégia.

  • SIC Notícias

O canal optou por uma estratégia de convergência cruzada com o Expresso, utilizando a página do Facebook para remeter para um artigo do site do jornal. Na sua página oficial na rede social, publicou apenas uma peça no seu site com um pequeno resumo audiovisual do debate. As interacções não são expressivas.  No site até às 12h30, só estava publicada essa mesma peça. No Twitter manteve a estratégia dos feeds que remetem para links do site, sendo que o streaming da conta mistura o único conteúdo sobre o debate com muitos outros. Indexar conteúdos com hashtags não fez parte da estratégia da SIC Notícias.

  • RTP

No Facebook a estação pública optou por colocar apenas um link para a emissão online. O mesmo aconteceu na conta do Twitter mas com três posts a apresentar os links diferentes onde a estação estava a difundir o debate. No site o principal destaque vai para a entrevista com Pedro Passos Coelho desta noite. Só depois dos principais destaques surge uma peça com um “resumo ao minuto” do debate intervalada com posts do Facebook da RTP Notícias que remetem para trabalhos áudio que contextualizam o debate. Na mesma peça era possível aceder em directo, em formato áudio (via Antena 1) ou audiovisual (via RTP Play), ao debate. A página da RTP Notícias no Facebook iniciou há 15 horas as publicações sobre o debate: promos, links para artigos sobre o debate, perfis de Passos Coelhos e António Costa e links para “siga em directo”. A RTP não utilizou hashtags.

  • TVI 24

No Twitter a conta da TVI 24 manteve a estratégia de publicação de feeds, misturando conteúdos do debate com os restantes. No Facebook foi publicando links de peças com pequenos resumos audiovisuais sobre assuntos específicos (estratégia do Syriza, por exemplo) e artigos mais completos com citações directas dos candidatos e links de contextualização do debate (outras peças publicadas ao longo do debate), assim como link para as “10 frases que marcaram o entre Passos e Costa“. O site acompanhou ao minuto o debate não com a estratégia de breaking news mas com artigos mais completos, linkados entre si, e muitas vezes acompanhados de citações dos candidatos e de pequenos resumos audiovisuais. Estão a ser também publicados vídeos com comentários ao debate por parte de jornalistas, nomeadamente de David Dinis do Observador. Do lado esquerdo do site há uma caixa a remeter para um streaming ao minuto, onde são publicados tweets de utilizadores comuns, pequenos vídeos do debate e micro resumos de ideias apresentadas pelos candidatos, sempre acompanhadas por citações. O site apresenta ainda, no topo da página, uma sondagem: “Quem ganhou o debate?” mas não estão visíveis os resultados. A TVI24 nunca recorreu a hashtags.

  • Observador

O Observador acompanhou o debate no seu site num live blog produzido por vários jornalistas, com actualizações quase ao minuto numa timeline lateral, e na frame central a apresentar comentários mais extensos. Está a publicar opiniões dos seus comentadores e lançou uma sondagem para perguntar aos seus utilizadores quem ganhou o debate. No Facebook colocou apenas no topo da página um post fixo a remeter para o live blog. No Twitter seguiu a estratégia dos feeds, com conteúdos sobre o debate e restante actualidade noticiosa. No entanto, através da conta intitulada Observador Eleições, e também remetendo sempre para o live blog, fez um conjunto mais alargado de publicações incentivando a interacção dos utilizadores. As hashtags ficaram de fora na estratégia do Observador.


As hashtags do debate nas rádios

O debate entre Pedro Passos Coelho e António Costa nas rádios (TSF, Antena 1 e Renascença) está a ser nas redes sociais em diferentes streamings, com os influenciadores e as máquinas partidárias a criarem hashtags diversas.

Vale a pena seguir algumas das hashtags no Twitter:

#debate2015

#Legislativas2015

#Eleições2015

#costabem

#costamal

#passosmal

#portugalàfrente

#pedropassoscoelho

#costa2015

António Costa começou por perder o debate, com #costamal a entrar quase de imediato nos trending topics em Portugal. Os influenciadores estão com um papel importante nas hashtags “mal” e “bem”, mas o Partido Socialista está a indexar melhor os conteúdos (#debate2015#costa2015#costabem). A máquina partidária da coligação Portugal à Frente está a dispersar os conteúdos com várias hashtags (#debate2015#Legislativas2015#Eleições2015#portugalàfrente#pedropassoscoelho e outras, criadas pelas contas que derivam do partido – distritais, juventudes partidárias, etc).

Desde o início do debate, a hashtag #debate2015 surgiu logo nos trending topics em Portugal.

No Facebook as hashtags são recorrentes e idênticas ao Twitter, já que os influenciadores e as máquinas partidárias estão a utilizar em simultâneo as duas plataformas. Ainda que no Twitter se verifique uma maior utilização das hashtags por utilizadores comuns do que no Facebook. As dispersão das várias páginas dos partidos está também a criar diferentes streamings de comentários e partilhas.

As Rádios

  • Facebook

A TSF optou por colocar no topo da página o link que remete para o directo no site. Não utiliza hashtags mas lança, em dia estratégico, uma app. A interacção no post central não parece ser diferente do habitual.

A Antena 1 disponibilizou o último post 30 minutos antes do debate, com links para as várias fontes onde a RDP e a RTP Play estão a transmitir o debate. A interacção neste post também não parece ser diferente do habitual. A Antena 1 tem uma clara vantagem sobre as restantes rádios, já que está a transmitir o debate em registo audiovisual na RTP Play.

A Rádio Renascença publicou o primeiro post já 30 minutos depois do início do debate, com um link para o directo. Mas utiliza as hashtags #legislativas e #legislativas2015. A interacção é mais reduzida no que nas outras rádios. A 30 minutos, voltou a publicar o mesmo post, também hashtags. A interacção com este conteúdo foi quase nula.

  • Twitter

A TSF publicou apenas um link para a página onde é possível ouvir o debate em directo.

A Antena 1 (conta sem utilização desde 8 de Janeiro) mudou a estratégia no Twitter e deixou de ter página própria. E foi na conta RTP que publicou vários posts a remeter para o link da RTP Play.

A Rádio Renascença fez vários posts (actualizando a página, que estava sem posts desde 14 de Setembro) com links e utilizou hashtags ( e ).


Bolsas para a Nieman Foundation for Journalism 

Candidaturas até 31 de Outubro. Mais informações aqui.


Formação em Jornalismo/Comunicação

A minha opinião sobre a formação académica em Jornalismo/Comunicação publicada no blog LabForm – projecto de Sandra Marinho e Pedro Coelho com o objectivo de “debater pontos de vista, experiências de ensino e ideias para novos formas de ensinar/aprender Jornalismo”.

A formação académica em Jornalismo/Comunicação é essencial para o exercício da profissão. A articulação entre uma formação teórica sólida combinada com a componente prática tem de ser a base para os futuros jornalistas. Naturalmente que o cruzamento com outras áreas do saber não deve ser esquecido. E as Ciências da Comunicação são, por excelência, um campo interdisciplinar que problematiza de forma integrada os desafios que se colocam ao Jornalismo. Numa era em que a instantaneidade e a mobilidade dominam uma cada vez mais complexa sociedade, é impossível pensar a formação do Jornalismo meramente técnica ou desgarrada do complexo universo da Comunicação.

É hoje utópico pensar o ensino do Jornalismo/Comunicação sem a tecnologia. Excluindo obviamente um determinismo tecnicista, não concebo o ensino do Jornalismo/Comunicação sem recurso às novas tecnologias de uma forma integrada, tanto no domínio prático como no teórico. A utilização da tecnologia não é apenas uma exigência do mercado. É uma exigência global que nos permite expandir o conhecimento e a técnica da sala de aula para a rede e vice-versa.

Assumindo que as fronteiras entre a produção e a recepção são cada vez mais ténues, a universidade serve para dar aos futuros jornalistas uma sólida base prática que permitirá o exercício da profissão. Mas não há prática sem teoria. É impossível que a prática não reflita as bases fundamentais do Jornalismo. A universidade é, por excelência, um espaço de conhecimento. E é na universidade que os futuros jornalistas devem refletir de forma interdisciplinar sobre a sua futura profissão e o seu vasto contexto.

Há (ainda) quem defenda que a formação de um jornalista deve passar por outras áreas do saber. Na minha perspetiva, uma especialização noutra área será sempre complementar a uma formação de base em Jornalismo/Comunicação. A “tarimba” é importante e será sempre importante. Mas não substitui a formação. Teremos sempre os argumentos de que “antes era de outra forma”. Sem dúvida que sim. Não existia formação em Comunicação e as redações foram a formação de muitos jornalistas que, felizmente, reconheceram a importância da universidade e são hoje professores.

Nos tempos da faculdade, um professor (e jornalista) dizia-nos muitas vezes que não se ensinava a fazer Jornalismo mas a pensar sobre o Jornalismo e como fazer Jornalismo. Não tenho nenhuma dúvida de que é esse é o papel da universidade. Fornecer ferramentas para uma formação sólida que permita a simulação da prática de forma reflectida e problematizada.

As exigências do mercado de trabalho implicam a integração da prática simulada na formação académica. A integração num mercado de trabalho competitivo implica que os futuros jornalistas sejam capazes de se adaptar a um sector que está em permanente mutação. A universidade tem de ser capaz de dar uma resposta objetiva a estas exigências através de unidades curriculares práticas que potenciem a aquisição de experiência e competências em ambiente de trabalho simulado. No entanto, e porque o contexto de formação assim o permite, os laboratórios devem promover uma prática reflexiva da teoria. A formação académica em Jornalismo/Comunicação deve combinar a formação prática avançada com uma reflexão aprofundada sobre processos, conteúdos e produtos jornalísticos.

A articulação entre a Academia e a profissão parecem-me um requisito da formação em Jornalismo/Comunicação. Esta ligação pode e deve acontecer pela integração de profissionais no corpo docente, desenvolvimento de atividades curriculares com meios de comunicação social, assim como pela promoção de estágios extracurriculares. Considero que os estágios curriculares devem ser repensados. A inserção no contexto profissional não pode ser feita apenas em três meses, pelo que me parece absolutamente essencial que a formação prática dos futuros jornalistas seja complementada neste período. O estágio não pode ser o primeiro contacto com a prática. De forma alguma. Neste sentido, julgo que o estágio curricular deve ser mais um passo na formação dos jornalistas, dando continuidade a uma formação sólida.

Inês Amaral




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